Arrepende-te Brasil

"O meu socorro vem do Senhor que fez o céu e a terra." Salmos 121:2

Arrepende-te Brasil

Contra os falsos mestres

segunda-feira, 21 de janeiro de 2019

Ganhar ou perder? Como o assunto política se tornou tóxico para a fé


Evite os causadores de intriga, os que sutilmente semeiam a discórdia, discussões sem futuro e confusões de opiniões. Não se alimente destas coisas, se alimente das palavras de Deus. O assunto política hoje se tornou num laço, se tornou tóxico para muitos envenenando e contaminando a sua fé pura em Jesus Cristo.

Eu não estou dizendo que você não deva talvez se informar ou conhecer sobre política, nada disso, apenas estou dizendo que o Evangelho não se reduz, não propõe e não é um debate político entre esquerda e direita. O Evangelho não se propõe ser um mediador político ou jurídico entre os homens, mas traz a revelação do Único Mediador entre Deus e os homens, Jesus Cristo.

O debate político não só pode cegar como ele cega as pessoas, isso ocorre independente de terem grau de estudo ou não. Na verdade o debate político foi projetado para ser deste modo, e como pessoas espirituais não podemos ignorar o componente espiritual por detrás do cenário político ao longo da história, não podemos ignorar os poderes das trevas que só podem ser vencidos com oração e submissão a palavra de Deus.

Vencer os poderes das trevas por trás de governantes deste mundo não quer dizer tirá-los do poder e passar a governar. A igreja primitiva, de Pedro, Paulo e João, venceu o Império Romano mesmo que ele permanecesse no poder. Nossa batalha é primeiro de tudo espiritual. O Senhor Jesus, o primeiro de todos, venceu este mundo e não o vimos sentar em nenhum trono terreno, ele venceu em uma cruz sangrenta, e hoje está entronizado no coração dos verdadeiros adoradores.

Tome sua cruz, me siga, ainda está valendo.

Cuidado para que ao vencer você não esteja na verdade perdendo.

Deus abençoe.

quinta-feira, 3 de janeiro de 2019

Pode ou não pode, é pecado ou não é pecado?


Nona mensagem da série a respeito dos desigrejados, espero terminar o tema em breve e hoje quero falar sobre o teor da maioria das perguntas que recebo, e que acaba sendo o teor da maioria das questões que os cristãos carregam, e que acaba sendo nada mais nada menos do que uma característica da natureza humana que é uma espiritualidade baseada em ritualidades externas muito mais do que em uma virtude interna. Eu recebo muitas questões em meu e-mail, e uma época eu ainda respondia por whatsapp, e de cem questões que eu receba, pelo menos 97 sempre serão questões a respeito de "pode ou não pode fazer isso ou aquilo", e também "qual é a interpretação correta de tal texto, o que fulano fala ou o que ciclano fala". Se você ler nos evangelhos e perceber os tipos de questionamentos que eram trazidos a Jesus vai notar que a maior parte deles era algo deste tipo, desta natureza. Se falarmos a respeito da questão do divórcio a pergunta era a respeito de qual a interpretação correta, e visava-se ter a interpretação correta justamente para saber "o que pode e o que não pode fazer". Parece que ninguém estava maravilhado de estar diante do próprio Cristo, eles apenas queriam saber os podes e não podes todos. Eles tinham mais interesse por isso do que pela pessoa de Jesus.

A bíblia tem seus podes e não podes mas eles nem de longe são o objetivo, o centro, a base ou o alvo da fé cristã. Se você fosse capaz de seguir todos os podes e não podes da escritura e interpretar todas as minúcias ainda assim seria não mais do que um cadaver espiritual.

Estes "podes e não podes" são usados como norte para a caminhada dos crentes, mas acabam se constituindo numa cegueira espiritual, numa prisão espiritual, a medida que muitas pessoas trocam seu relacionamento com Cristo e a sua confiança na graça de Deus, no sangue de Jesus, por meras obediências exteriores a mandamentos e preceitos que mesmo quando são bons, não tem o poder de te salvar e te reconectar com Deus. As pessoas que vivem uma caminhada cristã baseada em podes e não podes normalmente são pessoas ansiosas, sobrecarregadas, algumas até mesmo neuróticas, e assim eram os fariseus na bíblia. Eu realmente vejo hoje em dia pessoas chamando pessoas de fariseus sem compreender que todos nós temos um algo de fariseu em si mesmo. Isso não privilégio de um grupo ou outro, as atitudes as quais eles simbolizaram na escritura são características da natureza humana, falhas de caráter, e eles eram as pessoas mais fissuradas, mais encanadas em seguir todos os podes e não poder da escritura. Haviam centenas de mandamentos na lei de Moisés, mas eles não contentes com todos aqueles mandamentos para seguir ainda criaram as suas próprias leis, regras e tradições rituais de santidade, eles tinham um tipo de "santidade excessiva", eles até mesmo pensavam que eram mais santos do que o próprio Deus.

Eu estou falando de podes ou não podes exatamente porque a dúvida que muitas pessoas tem quando falamos do assunto apostasia na igreja é exatamente este, se muitas igrejas estão em apostasia, posso ou não posso ir numa igreja? Do mesmo modo que muita gente de dentro das igrejas atuais diria sem titubear que é pecado não ir a igreja para um cristão, boa parte dos que saíram nutre um outro tipo de sentimento de medo e de culpa por ter contato com pessoas "lá de dentro". Não sei exatamente se é um medo de contaminação, e até compreendo que conversar com alguns tipos de "cristãos de igreja" seja difícil e traumatizante para um "desigrejado" não acho que seja o caminho correto ter "medo" da igreja ou do contato com irmãos. Entendo perfeitamente uma pessoa que não deseje congregar nas igrejas que temos atualmente, eu sou uma delas, que ainda que reconheça que há algumas poucas boas igrejas e bons pastores, o prazer e a liberdade que desfruta alguém que aprendeu a beber diretamente da fonte é incomparável com o prazer de beber algumas águas as vezes até amargas. Mas muitos desigrejados tem esta questão, se pode ou não pode mais ir na igreja. Chegam a sentir culpa se forem em alguma. Temos dúvidas que para uns podem parecer simples, mas elas consomem a vida e o coração daqueles que resumem a sua caminhada com Deus e a sua fé em Cristo apenas a seguir ou tentar compreender todos os podes ou não podes nos minímos e mais minímos detalhes.

Isso é um falso dilema que tem aprisionado a muitos, um dilema como se ser cristão se resumisse a pode ou não pode fazer isso ou aquilo e acabam totalmente cegos para o poder do novo nascimento. Tudo para tais pessoas se resume a regras, Deus para elas é um livro de regras, no caso enxergam a bíblia como um livro de regras que Deus quer que cumpramos, mas estão cegas para a oportunidade de relacionamento com Deus através de Cristo (comunhão) que nos é apresentada na escritura. É algo tão terrível e que aprisiona tanto mentes e coração, que os leva em cativeiro, que estreita o entendimento e a mentalidade de muitas pessoas que eles querem entender tudo apenas na base do poder do seu intelecto. Eu não preciso entender todos os mistérios da escritura e da face da terra para entender que Deus é real e que ele me ama, e que Jesus é o Filho do Deus Vivo. Isso não é algo que a carne ou o sangue podem te dizer, anos de teologia numa faculdade trancado, estudando grego e hebraíco, e mesmo assim você pode sair dali sem conhecer nada sobre Deus. Você pode conhecer muito de bíblia, mas pouco de Deus. Para Pedro Jesus declarou "bem-aventurado és tu Simão pois não foi a carne e nem o sangue que te revelaram mas o meu Pai que está nos céus". As pessoas querem saber se nasceram de novo ou não e esperam um sermão com um check list, ou elas querem a lista de checagem para ver se estão cheias do Espírito. E elas vão as escrituras mas nunca encontram Cristo pois quando encontrarem a Cristo todas as buscas cessarão, finalmente, descanso para alma.

Teologia, bons pastores, boas igrejas, bons irmãos, bons sermões e estudos bíblicos não podem resolver todas as coisas, entenda isso!

Estamos falando de um cristianismo sem vida! Baseado em rituais e não no poder de Deus! E normalmente os cristãos que desejam resolver todas as coisas na base do pode ou não pode, as regras, as leis, eles sempre estão em dúvida sobre as coisas todas (ou as vezes numa grande certeza idiota!). Eles olham todo o check list para saber se estão ou não cheios do Espírito, se nasceram ou não de novo, e ao terminar tudo eles sempre estão pensando assim "ah, mas e se eu estiver enganado?", "ah, mas e se eu não tiver nascido de novo de verdade?", "ah, mas e se a interpretação que estou fazendo estiver errada?". Normalmente estes pensamentos tendem ao pessimismo, ou seja, de que você vai para o inferno, e não está salvo nada, de que está brincando com Deus, e são pensamentos destruidores porque eles fazem apenas você olhar cada vez mais para si mesmo, para suas dúvidas, para suas confusões, questionamentos, e mesmo quando você vai na bíblia querendo respostas, as respostas que você obtem ou te deixam mais confuso e incerto, ou vão te levar a achar que a bíblia não serve para nada, afinal, você fez tudo que te era ordenado fazer, orou, jejuou, esperou, se esforçou, leu a bíblia, mas continua confuso, sem saber direito se vai para o céu ou inferno. "Será que me esforcei o bastante?" "Será que fui sincero?" Isso acontece especialmente porque uns tempos para trás era uma festa de que todo mundo estava salvo, e então chegaram palavras alertando que não é bem assim que funcionam as coisas, e muita gente começou a ficar em dúvida e querendo ter certeza de sua salvação começaram a recorrer a sermões e pregadores. Muita gente até escrevia para pastores perguntando "prega um sermão ensinando como eu faço para ter certeza da minha salvação"! Pessoas desesperadas, confusas, e algumas vezes quanto mais oram e mais leem a bíblia e mais escutam pregadores, mais se apegam a detalhismos das pregações, e mais confusas ficam!

"Ah meu Deus, aquele pastor parece um homem de Deus, tão cheio do Espírito Santo, tão conhecedor da palavra, e ele disse que não pode. Mas agora, este outro pastor aqui, também parece ser tão de Deus, tão cheio do Espírito, tão conhecedor da palavra, e ele está dizendo que não tem nada a ver e que pode sim. Ah meu Deus, e agora, pode ou não pode?"

As pessoas começam a esquecer da cruz de Cristo, do peso e do fardo que ele carregou e começam a fazer em vão as feridas do Senhor resumindo sua entrada no céu ou não simplesmente ao falso dilema do "posso ou não posso", "é ou não é pecado", mas o segredo, a saída é o versículo abaixo!

"E no último dia, o grande dia da festa, Jesus pôs-se em pé, e clamou, dizendo: Se alguém tem sede, venha a mim, e beba." João 7:37

O Espírito Santo é o espírito da fé, você pode ter a melhor teologia do mundo, isso não vai te dar fé. Pode ter presenciado os mais assustadores milagres e sobrenatural de Deus, isso não substitui aquilo que "carne e sangue não te revelarão, mas o Pai que está nos céus te revelará". Podemos ver os fariseus? Eles conheciam mais das escrituras naqueles dias do que qualquer um de nós conhece hoje. A vida deles era examinar as escrituras. Não era uma leitura desatenta e superficial, mas eles vasculhavam as escrituras, eles garimpavam as escrituras, eles se apegavam a detalhes e mais detalhes só para tentar entender todos os podes e não podes, e ainda assim quando Jesus chegou eles não conseguiram reconhecer ao próprio Deus. Eles não tinham relacionamento com Deus, eles apenas conheciam as escrituras e não o Deus das escrituras. Eles examinaram as escrituras esperando achar vida eterna, e quando a vida eterna estava ali eles não quiseram ir a Jesus para ter vida!

Você já viu um carro andando com o freio de mão puxado? Já viu um navio todo encracado, com o caso cheio de craca e por isso andando com dificuldade no oceano? Já viu na bíblia Lázaro, ressuscitado, todo enrolado em panos como se fosse uma múmia, quer dizer, andando, mas ainda meio restrito, ainda meio sufocado, ainda sem muita liberdade de movimentos, isso dai é exatamente como muitos cristãos estão hoje em dia, e eles recorrem a pregações para saber se estão salvos, perguntam a pastores, ou a irmãos, posso ou não posso, devo ou não devo fazer, devo ou não devo ir, devo ou não devo comprar, etc, etc, etc, mas tem pouca gente que aprendeu a ir beber direto na fonte. Tem gente bebendo de pregações, de cultos, de conferências, mas tem pouca gente bebendo de Jesus. As pessoas bebem do culto, bebem da pregação, bebem dos pastores, mas poucos estão bebendo de Cristo, e por isso tão pouca gente está saciada de alma, pouca gente com a sede morta e muita gente morta de sede! Jesus mata a sua sede, pregações, se você ouvir a pregação mais ungida do mundo, pregada pelo pregador mais ungido do mundo, você pode até sentir bem ali na hora, mas logo mais você vai voltar a ter sede se você não descobrir a ir direto na fonte toda sensação que você vai receber em cultos e palestras, em louvores e orações, serão apenas momentos de falsa sensação de saciedade!

Jesus prometeu uma fonte jorrando de dentro de nós, jorrando para a eternidade, mas muita gente hoje está mendigando copinhos de água para pregadores e igrejas. Muita gente chega diante de Deus hoje e quer apenas saber, "e ai Deus, pode ou não pode?" Pouca gente... bom, muita gente quer unção hoje, poucos querem o que unge. Muitos querem dons, poucos querem o doador. Você pode ler toda a bíblia mil vezes, tuas dúvidas só morrem quando o espírito da fé vem. Paulo escreveu que é o Espírito de Deus quem testifica com o nosso espírito. Uma conversa de Espírito para espírito, e Deus é Espírito. Mas isso está matando as pessoas, que acham que sair ou entrar numa igreja é sinônimo de ganhar ou perder o seu vigor espiritual. Vigor espiritual só vem de um lugar, de Jesus Cristo. As dúvidas das pessoas, dentro e fora da igreja são muitas. Posso entrar numa igreja? Tenho que sair? Devo sair? Entrou ou saio? Tenho que ter pastor? E meus dízimos? Isso é para hoje em dia ou não? E o sábado? Devemos comemorar natal? Somos pré-destinados ou temos livre arbítrio? Como saber se eu sou salvo? Mulher deve cortar os cabelos ou não? Pode usar maquiagem? O cristão pode ter facebook? Tem que dormir de roupa ou pode dormir pelado? Pode ou não usar barba? Usar barba é vaidade? São duzentas mil dúvidas e perguntas, é quase como todo aquele lixo espacial que fica orbitando ao redor da terra! Nuvens e mais nuvens de questionamentos, e mesmo quanto você recebe a resposta de uma questãozinha como esta você continua inseguro, sem fé, sem coragem, sem ousadia, a cabeça encheu-se de conhecimento, mas e o coração, encontrou a segurança do amor?

Oh, como estas coisas tem ofuscado o dom de Cristo, o sacrifício de Jesus, a cruz do Senhor! Pois as pessoas começam a se perguntar estas e milhares de outras coisas e param de ir até Deus! São questões que boa parte delas mesmo quando resolvidas não vão encher o seu coração, não vão matar a sua sede! Essa é uma prisão de um falso dilema, pode ou não pode! A resposta não é pode ou não pode, a resposta certa é Cristo! Por meio dele podemos ir até o Pai, de coração limpo, alma lavada, perdoados, ser tocados por Deus! Imagina a cena ridícula, você encontrasse Jesus hoje andando nas ruas, e você soubesse que era ele de verdade, e você para o Senhor e abre a mala e saca uma bíblia e diz assim "que bom Jesus que te encontrei hoje, sabe, eu estava com uma dúvida aqui sobre a bíblia que queria saber se pode ou não pode usar papel higiênico laranja com bolinhas cor de rosa, ou se o papel correto é o verde com bolinhas pretas?" Se eu fosse Jesus eu nem iria te responder nada! Graças a Deus eu não sou! Mas você morrendo de sede, e a fonte na sua frente, e você perdendo a chance de beber e encher o tanque com eternidade para perguntar coisas sobre a bíblia para a própria palavra de Deus! A palavra viva está na sua frente, está ai com você e você ao invés de desfrutar da realidade espiritual da presença de Deus apenas quer discutir e debater e compreender coisinhas a respeito de "cartas" que Deus escreveu para você! Isso não tem valor se você estiver perdendo de vista o próprio Deus! Meus amigos eu não estou menosprezando questões, dúvidas e a bíblia, tudo isso é legítimo e tem o seu lugar, mas quando estas coisas te cegam para não ver Deus então você realmente está cego e hoje estas coisas estão supervalorizadas e Deus está pouco valorizado!

Quando você ver Jesus hoje você pode dizer para ele te mostrar onde ele mora, e ir para casa dele com ele e banquetear na presença de Deus! Você pode não encontrar Jesus visivelmente hoje em dia, são raras as pessoas que tiveram experiências com aparições como Paulo teve, mas a bíblia diz que ele prometeu que estaria conosco todos os dias até a consumação dos séculos! Então Deus, obviamente, ele está ai mesmo que você não consiga perceber, e você tem agora mesmo a chance de pedir a ele o que quer que ele te faça! Por mim eu já entendi uma coisa, e eu vi que Jesus abriu o entendimento dos discípulos para compreenderem as escrituras, mas Jesus não fez isso para que eles pudessem compreender as escrituras somente, mas as escrituras existem por causa de Cristo. Eu já orei a Deus pedindo entendimento, mas percebi que não vou entender tudo, só que percebi uma coisa, eu vou entender tudo que Deus quiser que eu entenda e que for útil para a minha vida com ele, e que fé em Deus e em Jesus não depende de entender cada vírgula da bíblia, boa parte das pessoas que conheço que são fortes de bíblia vivem muitas crises de fé, por isso, mesmo quando você não entende nada, Deus não se torna irreal. Sabe que na bíblia teve um profeta que chegou a uma crise deste tamanho na sua vida, foi Jeremias, nenhum homem é inabalável, e está escrito que a opressão faz até o sábio enlouquecer. Este homem que havia profetizado tantas palavras de Deus e pregado tanta coisa em nome do Senhor, que ouvia a voz de Deus desde pequeno, ele chegou num ponto do livro que perguntou a Deus se Deus também não era uma ilusão como as demais coisas.

Muitos pastores de hoje sempre passam uma imagem (ou as pessoas fazem deles) uma imagem de imbatíveis campões da fé, aquela coisa do tipo "eu tenho a força, sou invencível". E na bíblia Elias foi para a caverna com depressão, pediu a morte, Jeremias estava questionando se Deus era verdade ou não, se não era tudo um ribeiro de águas de ilusão, apenas uma miragem, Paulo chorou que tinha o espinho na carne e não foi livre dele. Por isso é verdade que está escrito que no mundo teremos aflições. Não tem super-homem da fé que nunca possa se abalar ou se enlouquecer num momento de luta ou de pressão.

Por isso, ficar ou sair de uma igreja não é a questão, isso não tem poder, Jesus tem poder, o sangue de Jesus tem poder.

De onde você anda bebendo? Pregações, pastores, igrejas, cultos, irmãos? Então você está com muita sede! E as pessoas estão desanimadas pois a vida toda aprenderam que precisam de igrejas para se alimentar, pregadores para beber água, cultos para se fortalecer, e elas dependeram tanto destes meios bíblicos de graça que já não compreenderam mais que a graça não depende destes meios, mas estes meios dependem da graça de Deus, e que a graça de Deus pode fluir de qualquer modo, e por causa disso muitos cristãos que saíram de igrejas se tornaram desanimados, apáticos, frustrados, as vezes chorosos pois gostariam de uma "boa igreja" para se alimentar da palavra. Quando eu descobri que Jesus é a fonte, e que se eu tivesse sede era só ir até ele e beber a vontade, sem restrição, sem limites, e que ele não iria me mandar embora de jeito nenhum se eu fosse até ele, acabei aprendendo com o Senhor que cabe a mim e única exclusivamente a mim o desejo voluntário de procurar por Deus, de buscar a Deus, que não iria adiantar outra pessoa ir na fonte e trazer um caneco com água e dar na minha boca, mas que eu tinha que mergulhar ali e matar a minha sede por mim mesmo!

Quando Jesus foi ser crucificado ele ouviu Pilatos lhe chamar de rei dos judeus. Jesus então pergunta a Pilatos "você diz isso de você mesmo ou porque outros te disseram a respeito de mim?"

Você é cristão por você mesmo ou porque o pastor te mandou ser, teu pai te mandou ser, alguém disse para você ser? Muitos são como escravos, só fazem as coisas quando são mandados, mas felizes são os que buscam a Deus de si mesmos e com um coração voluntário. As pessoas dependem demais de pastores e irmãos (e de fato dependemos uns dos outros), mas depender demais não é boa coisa, você vai desanimar em ir até o Senhor quando tua motivação é exterior. Quando tua sede e tua fome te moverem a ir até a Fonte, teus problemas acabaram! As vezes você nem vai mais sentir falta de igrejas saudáveis no teu bairro! Estou falando que é possível ter uma fé viva e vibrante mesmo sem "igreja", e que algumas vezes por você beber demais da "igreja" e de menos de Deus, é justamente por causa disso que a sua fé é pouco viva e pouco vibrante! Hoje em dia eu agradeço a Deus por não ter encontrado boas igrejas e bons pastores, se os tivesse encontrado teria me acomodado e não teria vivido metade das experiências com Deus que já vivi, na verdade, eu nem teria sabido que tais coisas eram possíveis e existiam! Eu me lembro de David Wilkerson falando "se isso que eu tenho é pentecostes então eu não quero", e ele estava angustiado para ter mais de Deus, mas a maioria de nós hoje está achando que já tem tudo e ainda estamos apenas remando na beirada do oceano das possibilidades da graça de Deus, apenas molhando os pézinhos talvez ainda pensando em entrar no barquinho e achando que já temos muito! Nós somos pobres, miseráveis nesta geração, mas Deus continua ai!

A cena que eu vejo que descreve a nossa geração é a daquele doente na beira poço querendo ser curado mas não tinha ninguém para levar ele até o poço e todos sempre passavam na frente dele até que Jesus apareceu e mandou ele levantar e andar! Muita gente hoje está exatamente assim, esperando a muito tempo de um lado, e a resposta de Deus vem de outro. Muita gente esperando "ah, se tivesse uma igreja boa aqui no meu bairro eu iria buscar a Deus de todo coração e servir a Deus lá". Todo mundo parado do lado do poço, esperando o "anjo" agitar as águas, e pensando "ah, não tenho ninguém que me leve até o poço para ser curado, se eu tivesse uma igreja, um pastor que me ajudasse". Mas pensa só, se alguém tivesse ajudado este homem, ele nunca teria encontrado Jesus. Então não há motivo para a letargia que vejo hoje, para o desanimo, para as pessoas olharem para o poço e pensarem "não posso ser curada, não tem nenhuma igreja para me ajudar ir ao céu". Olha para a Fonte, a nossa geração está acostumada demais de beber de coisas, pessoas, Deus quer gente bebendo dele, e você pode beber dele onde quer que você esteja, dentro da igreja, ou fora dela, se você buscar a Deus vai achá-lo!

"É melhor confiar no Senhor do que confiar no homem." Salmos 118:8

E ai? É de você mesmo ou você apenas está seguindo a cabeça de outra pessoa?

Hoje eu paro aqui... fique calmo e vá a Jesus... até a próxima!

sábado, 29 de dezembro de 2018

Desigrejados, porque não gosto deste termo?


"Saíram de nós, mas não eram de nós; porque, se fossem de nós, ficariam conosco; mas isto é para que se manifestasse que não são todos de nós." 1 João 2:19

Este versículo acima é um versículo de 1 João e é claro que você pode ler o capítulo inteiro na bíblia para comprender melhor o contexto todo no qual ele se encaixa. Como é 1 João um livro pequeno talvez possa ler o livro todo, ou até mesmo pelo menos um capítulo antes e outro depois para melhor compreensão do que João queria dizer. Eu comecei o meu texto de hoje justamente com este versículo de propósito, especialmente porque quero refletir um pouco a respeito do termo "desigrejado" e deixar bem claro o porquê eu não gosto dele. Para mim o termo desigrejado pode ser usado de maneira bem genérica para descrever o crescente movimento de pessoas para fora das denominações evangélicas que conhecemos hoje em dia. Também é utilizado para descrever cristãos que frequentam várias denominações, andam de denominação em denominação, talvez procurando uma igreja melhor que se adaptem, em outros casos apenas porque não querem manter vínculo com nenhuma denominação. Querem entrar numa igreja, assistir um culto, fazer orações, e apenas ir para casa, mas nada de se envolver ou tomar responsabilidades.

Acalme o seu coração, eu apenas quero que vocês compreendam uma coisa, se Jesus andasse em nosso meio ele iria repreender igualmente "igrejados" e "desigrejados", e para uma correta aplicação do evangelho de Cristo, esta divisão não cai bem. Mesmo para os mais chatos teóricos do cristianismo que fariam tal divisão apenas por questão de estudar a coisa toda, isso dai iria atrapalhar a entender a essência da natureza da mensagem de Cristo para a humanidade. Se você ler bem nos evangelho vai entender que dum ponto de vista mais alto até mesmo a nossa tradicional divisão entre igreja e mundo desaparece a depender do modo como tomamos as palavras de Deus. Na parábola do trigo e do joio por exemplo o Senhor não diz que o trigo está apenas dentro da "igreja" mas que está espalhado por todo o mundo. O trigo são os filhos do Reino de Deus. Do mesmo modo em Atos o Senhor mostrou a Pedro que a casa de Cornélio, não eram judeus, mas eles eram do Senhor, eles temiam a Deus de verdade. No mesmo passo podemos entender também os severos e constantes alertas de Jesus de que do mesmo modo que nem todos os do mundo eram de fato do mundo, também nem todos da igreja seriam de fato de Deus. O Senhor mesmo disse que não é todo que diz "Senhor, Senhor..." que entrará no reino dos céus. Algumas vezes isso é difícil de compreender pois ora a palavra igreja é usada no sentido universal e espiritual do termo, e ora é usada apenas para descrever a nossa reunião física aqui na terra. Nem todos que se reúnem fisicamente fazem parte da igreja espiritual, e muitos dos que fazem parte da igreja espiritual muitas vezes não podem se reunir fisicamente, seja por prisões, perseguições, ou outros motivos relacionados ao evangelho.

Quando falamos de desigrejados estamos falando muito provavelmente da maior "denominação" cristã do Brasil entre as denominações evangélicas. Mesmo que boa parte dos desigrejados não deseje ser chamado de evangélico, e prefira ser chamado apenas de cristão, o último número calculado estima em aproximadamente 10 ou 12 milhões de cristãos que não possuem vínculo algum com denominação alguma mas mesmo assim declaram manter a sua fé em Cristo. Para se ter uma ideia isso é aproximadamente o mesmo número de pessoas que tem a maior denominação evangélica no Brasil, a Assembléia de Deus, é mais de 20 vezes o número de membros de denominações como IMPD, 3 a 4 vezes o número de membros do que tem a Quadrangular, 5 ou 6 vezes o número de membros da IURD. Tudo isso são estatísticas e estimativas, e nós sabemos bem que quantidade numérica de pessoas não representa absolutamente a vontade de Deus ou a aprovação do alto. Muitos líderes invocam a sua prosperidade financeira, o número de membros de suas igrejas, o número de templos, número de pastores sob seu comando, número de horas de propaganda na tv, etc, como se isso fosse símbolo da aprovação de Deus. Se realmente a luta fosse uma questão numérica então os desigrejados estariam mais aprovados por Deus do que os igrejados pois em número superaram praticamente todas as denominações evangélicas em comparações individuais. Mas a questão aqui não é números pois pessoas não são números.

Por que o número de desigrejados cresce tanto?

Há muitos filhos das trevas que gostam e pretendem se aproveitar bastante da existência dos desigrejados. A sua ideia de alguma forma é fomentar a guerra entre igrejados e desigrejados, não por que eles são cristãos zelosos e desejam defender a fé em Cristo, mas justamente porque são pessoas que querem destruir a fé em Cristo e de uma vez por todas apagar o nome de Jesus da face da terra. Sim, estamos em meio a fogo cruzado, e muitos ainda nem mesmo perceberam isso. Muitas pessoas apenas querem tomar as críticas todas dos desigrejados, ou de qualquer outro que critique, e usar como um porrete para bater nos "igrejados". Sim, querem fazer com que os de fora da igreja e os de dentro se aniquilem mutuamente, pois isso seria tremendamente prejudicial para o cristianismo, tão prejudicial quanto os falsos profetas, e eu realmente não sei se o tempo em que vivemos permitirá que toda esta confusão seja desfeita. Eu luto como se fosse possível, mas eu realmente não tenho como saber se o cenário mudará, talvez o mundo tenha entrado numa espiral definitiva rumo as trevas da qual não haja mais retorno e o tempo do anticristo vir reinar neste mundo esteja próximo. Sei que outros cristãos antes de mim tiveram a mesma impressão e estavam errados, eu espero estar também, e espero ver o cenário mudando mas sou bem ciente de que isso pode não acontecer.

A igreja cristã como nós conhecemos, os católicos, protestantes, ortodoxos, as denominações evangélicas, tem muitos feitos ao longo da história, uma parte considerável destes feitos é ruim e contrária aos mandamentos de Jesus, e outra parte destes feitos é boa, e o mundo seria muito pior se tais organizações ou instituições não o tivessem feito. Nós não podemos deixar de ter um olhar equilbrado sobre todas as coisas. Mesmo hoje em dia, apesar da justa crítica a teologia da prosperidade, muitas igrejas, mais do que aparece nos jornais, muitas mantem enormes obras de assistência social no Brasil e no mundo. Seja em zonas de guerra, periferias, junto a moradores de rua, prostitutas, doentes, asilos, leprosários, mesmo as instituições que hoje consideramos desviadas do verdadeiro objetivo do evangelho, se tirássemos do mundo hoje todas as obras que elas fazem, pode ter uma certeza que este mundo seria um lugar muito mais sombrio e devastado. O que quero dizer é apenas que estar "fora da igreja" não significa querer o fim dela, nem mesmo ser a favor das coisas erradas que ela possa fazer. Ainda mais quando não estamos falando de apenas uma igreja, onde todos pensam iguais, e onde as virtudes ou os erros de um único possam ser atribuídas indiscriminadamente aos demais (a todo o grupo). Há pessoas e pessoas dentro de todas as igrejas (e fora delas), e o julgamento de Deus será individual. Se você pensa que será julgado em grupo então releia suas escrituras, a bíblia nos fala de um Trono Branco de Julgamento onde seremos julgados individualmente.

Mesmo sabendo que o número de desigrejados cresce a cada dia podemos entender que este fenômeno não é algo desconectado de toda a história da igreja, e que em muitos outros momentos tivemos eventos semelhantes, gente fugindo de falsos ensinos, falsos mestres, heresias, falsas profecias. Aliás, boa parte das heresias que se prega hoje já foram refutadas ao longo da história da igreja, e dificilmente aparecerá algo novo que já não tenha sido em algum momento da história. Nós falamos aqui por exemplo sobre os falsos Elias, homens que apareceram na história da igreja clamando serem profetas que iriam preparar a igreja para a volta de Jesus e restaurá-la a pureza dos primeiros dias, os dias dos apóstolos. A mensagem restauracionista, que em nome de restaurar a igreja de volta ao que era, primitiva, introduziu muitos erros e enganos ao longo da história, e até hoje. Citamos Montano como o primeiro exemplo deste tipo de engano, e Montano é um personagem do século II. E é por isso que eu vou resumir aqui ao longo da história da igreja, especialmente no novo testamento, mas isso poderia incluir também o velho testamento, os momentos históricos (alguns deles) em que houveram pessoas cultuando a Deus fora da religião oficial daqueles dias, fora do grupo oficial de culto daqueles dias. Eu vou usar exemplos seculares, exemplos do antigo testamento e depois vamos falar um pouco sobre o período do novo testamento, e vamos acabar com o monopólio da fé!

O monopólio da fé

Monopólio é um quando apenas uma empresa tem direito de explorar determinada atividade comercial. Neste caso ela desenvolve uma atitude de açambarcamento, que quer dizer, ela começa a tomar ou reter tudo para si mesma. É possível que uma igreja ou instituição queira açambarcar a fé para si mesma, monopolizar a fé? Sim, não só é possível como é mais comum do que imaginamos, eu realmente penso que isso seja o complexo de Deus, ou o homem querendo ser Deus, se colocando como dono da verdade. Neste mundo nós temos algumas atividades que são regulamentadas por leis, a exemplo disso poderia dizer, para você exercer a profissão de advogado não basta ter faculdade de direito, você precisa ser inscrito na Ordem dos Advogados do Brasil. É possível exercer a profissão se não estiver inscrito na Ordem? Não, não só não  é possível como não existe uma espécia de Ordem dos Advogados do Brasil 2, para se por acaso você estiver descontente com a primeira Ordem você vai e se increve na segunda. Também não existe possibilidade de você terminar a sua faculdade de direito e fundar sua própria Ordem dos Advogados, não existe isso, você terá que se sujeitar a que existe ou não poderá exercer a sua profissão. Mas será que este tipo de pensamento se aplica a igreja do Senhor? Sera que há um órgão visível, palpável, tangível, onde possamos dizer "aqui sim, esta é a igreja do Senhor e fora dela não há outra"? A verdade é que não há tal tipo de igreja oficial, isso porque a igreja é especialmente um organismo vivo e espiritual. Não se pode confundir a dimensão física da igreja, que são as nossas reuniões, com a dimensão espiritual, que está além do tempo e espaço.

Nós podemos falar sobre estas permissões exclusivistas para explorar determinada atividade usando muitos outros exemplos, futebol, existe a CBF, e temos mundialmente a FIFA, e se você for jogar na várzea do seu bairro tudo bem, mas se quiser disputar campeonatos profissionais terá de se submeter a estas organizações. Elas controlam o futebol mundialmente e são reconhecidas pelos esportistas, pelo menos pela maioria deles, então é quase impossível você conseguir fazer uma FIFA 2, se você estiver descontente com a FIFA que ai existe. Para a tua organização mundial de futebol ter algum peso ela teria que ter o reconhecimento de muitos times grandes, e estes times teriam que se submeter a sua organização. O mesmo caso poderíamos falar de algumas artes marciais, você vai prestar um concurso público para ser professor de jiu-jitsu ou de karatê, kung-fu, e no edital do concurso é exigido faculdade de educação física e registro na "federação brasileira de jiu-jitsu". Por certo em alguns meios este sistema de associações e ordens não dá muito certo, pois academias crescem bastante, e muitas vezes não veem utilidade em estar filiadas a federação brasileira sei lá, de kung-fu, e começam sua própria associação. Mas o central do que estou querendo trazer aqui é que nos termos deste mundo, é possível em alguns casos que determinado grupo de pessoas, por força de lei ou de reconhecimento, tenham a exclusividade no manejamento de determinadas atividades, mas em termos espirituais para a igreja de Cristo isso não existe, quem regulamenta a atividade do cristão é a palavra de Deus a unção do Espírito Santo.

Muitas lutas acontecem neste sentido nas organizações terrenas, pense no caso da OAB por exemplo. Se o amor do dinheiro é a raiz de toda espécie de males, imagine quanto dinheiro não arrecada uma entidade como essa? Quanta influência e poder político? Isso é bastante cobiçado neste mundo. Quanto dinheiro não entra numa CBF da vida? E por isso muitas vezes as pessoas querem postos de comando em órgãos de classe deste tipo apenas visando quanto podem arrecadar. Claro que há pessoas bem intencionadas, mas no geral não são raras disputas por conta de arrecadação financeira (e se aqui você já começa a ver uma relação com o sentimento que há entre algumas igrejas saiba que isso não é ficção, é mera realidade). Neste caso em que falei, se fosse possível cada pessoa ter a sua própria OAB, e cooptar seus próprios advogados, e receber deles mensalidade, ou a sua própria CBF, isso enfraqueceria a arrecadação da OAB, CBF e isso é algo que não seria bom para elas. Quanto menos centralizada a coisa for, menos dinheiro passaria na sua mão. Estou dando exemplos como estes mas pense no caso de um prédio, quantas pessoas muitas vezes não querem ser síndicos apenas de olhos em obter alguma vantagem. Então sendo realistas e não desmerecendo ou acusando tais organizações, que são importantes de certo modo, mas nenhum ser humano está acima da corrupção. Todo homem é corruptível, e divisões na arrecadação não são desejáveis em certos casos.

Imagine a cena do Brasil, se o estado de São Paulo dissesse hoje que não quer mais ser parte do Brasil, que quer ser um país separado. O resto do Brasil gostaria disso? Não gostaria e não seria necessariamente porque o Brasil ama muito o estado de São Paulo. Mesmo que não fosse por amor seria pelo menos por amor a arrecadação de impostos de SP que é a mais alta do Brasil. Então em certos casos vemos muito bem que não é desejável que haja "competição", ou seja, deseja-se ter o monopólio, controle exclusivo, controle de acesso a informação por exemplo, acesso a licença para empreender, e organizações paralelas, uma OAB paralela por exemplo, uma CBF paralela, elas significam competição, concorrência e podem levar o seu negócio a falência, e ninguém quer falir. Aplique o mesmo raciocínio para uma "igreja paralela", isso representaria concorrência para a igreja oficial e consequente diminuição na arrecadação de dinheiro e na esfera de influência! É por isso que em alguns casos a vontade de monopolizar a religião não vem de um sentimento de amor puro e verdadeiro, mas de um sentimento doentio de exercer controle e domínio sobre a vida de outras pessoas, na maioria das vezes exercendo o poder apenas para o seu próprio proveito ou benefício próprio e de seu grupo de líderes e cabeças da instituição. Isso acontece em toda parte e inclusive acontece na(s) igreja(s). Por isso hoje uma das primeiras tarefas de uma pessoa seria conseguir saber diferenciar o que é uma igreja e o que é uma empresa religiosa. Não é uma questão de possuir ou não CNPJ, possuir ou não nome de denominação, templo, mas lembre-se, como disse antes, exclusivismo é igual monopólio. Uma igreja que diz "só eu sou e fora de mim não há outra, não há salvação", isso é uma igreja que quer exercer monopólio, está apenas numa briga por poder, e não quer perder a sua posição e além do mais, mascara todas as suas atitudes e atividades como se fossem em nome de Deus e em defesa da fé. Esta atitude pode acontecer em grandes denominações religiosas, mas este mesmo espírito pode atuar também quando apenas dois ou três desigrejados estão reunidos "em nome de Cristo" e acham que fora deles não há salvação, cuidado!

As seitas que havia nos dias de Jesus

Nos dias de Jesus não era diferente do que é hoje em dia, e haviam muitas seitas e grupos naqueles dias. Apenas para citar algumas delas eram, os fariseus, os saduceus, os herodianos, os publicanos, os zelotes, os escribas e mestres da lei, os gnósticos, os filósofos greco-romanos, sacerdotes, samaritanos, essênios. Alguns destes poderíamos classificar como seitas, por exemplo, os herodianos criam que Heródes era o messias, os fariseus, eles tomavam para si a chave da ciência e da interpretação das escrituras, e Jesus os censurou por conta disso, pois eles tinham como se só eles tivessem a interpretação correta e como se todos os demais que com eles não concordavam era porque eram malditos que não conheciam a lei de Deus. Isso está nos evangelhos. Mas o grupo que quero citar em especial aqui é o grupo dos Essênios, os essênios são mais conhecidos hoje em dia por causa dos manuscritos de Qumram no mar-morto. Nos dias de Jesus eles eram um grupo que vivia mais isolado e separado dos demais. Se você ler os evangelhos verá que o sacerdócio daqueles dias estava completamente corrompido, e quando João Batista veio pregando houve muita resistência da parte dos sacerdotes, dos escribas e dos fariseus (bem como dos herodianos). Os três primeiros viam seu domínio (hegemonia religiosa) ameaçada pela mensagem de João Batista, e portanto fizeram com ele o que melhor sabiam fazer, o amaldiçoaram e por fim foi tramada a sua morte. Os herodianos não gostavam da sua mensagem pois ao dizer que o Messias estava prestes a chegar ele estava negando que o líder político Heródes fosse o messias como acreditavam seus seguidores. Os essênios por sua vez formaram uma espécie de comunidade no deserto, há quem inclusive pense que João Batista cresceu entre os essênios, mas um fato é que algumas pessoas hoje em dia comparam os desigrejados atuais com os essênios do passado, um grupo de pessoas que buscou sair fora daquele ambiente religioso hostil e dominado por interesses financeiros e políticos mais do que por amor a Deus e acabou armando a sua tenda no deserto, isolado daquele ambiente religioso oficial.

Em partes eu poderia concordar com essa afirmação a respeito dos Essênios. A quem pertencia o sacerdócio naqueles dias? A tribo de Levi. E o culto prescrito pela lei de Moisés dependia do templo e dos sacerdotes no templo. Mas e em dias em que os sacerdotes claramente estavam corrompidos? O que seria o melhor a se fazer? As pessoas tomaram diversas atitudes naquele tempo, houve uma maioria que permaneceu ali prestando culto, pois apesar do sacerdócio corrompido haviam israelitas tementes a Deus e isso é provado no evangelho. Além do mais o culto deles, diferente do culto cristão, dependia de um lugar específico de culto, o templo em Jerusalém. Não é que não houvesse regras para andar com Deus no dia a dia, mas o culto era centrado no templo. Mesmo Jesus quando nasceu, ele foi ao templo, seus pais apresentaram sacrifícios pelo seu nascimento conforme a lei mandava, e até certo ponto Jesus participou daqueles rituais prescritos na lei de Moisés. Aquele sacerdócio naqueles dias não queria perder o monopólio da fé que possuia. Eles se consideravam guias de cegos, mas Jesus os classificou como guia cegos. O Senhor até mesmo se admirou de que Nicodemos fosse mestre em Israel, e que ensinasse alguma coisa a alguém sendo que não podia nem compreender o que era nascer de novo. Você vê uma coisa, naqueles dias se alguém estivesse descontente com toda a corrupção que havia não tinha o que fazer, você não poderia fazer um templo 2, e começar a fazer seu próprio culto. Era evidente para todos que aquele era o templo certo, apontado pela lei, mas você não poderia criar um sistema religioso paralelo e usar o templo do seu próprio jeito. Precisava passar pelas ordens sacerdotais estabelecidas, e ai é onde entra a atitude dos essênios, eles simplesmente foram viver mais isolados no deserto, foram viver a sua própria vida e aguardaram a vinda do Messias.

Eu não tenho conhecimento suficiente para falar sobre erros ou acertos dos essênios, mas a atitude deles em certa parte me parece bem semelhante a atitude de alguns dos que saíram das igrejas atuais. Eles querem manter o fervor espiritual, não querem estar diante de uma liderança espiritual flagrantemente sem condições de ensinar nada a ninguém, e ao mesmo tempo não encontram espaço para fazerem isso em meio ao povo e para manter sua fé acabam se tornando uma espécie de movimento separatista. Eu não sei se os essênios viviam a pregar para os judeus saírem de Jerusalém ou não, para irem ao deserto com eles, mas um fato é que verdadeiros tementes a Deus houve entre os essênios. Talvez eles tenham desistido de tentar mudar as coisas ou tenham entendido que não tinham autoridade para corrigir o culto e esperavam que o Messias o fizesse quando chegasse, então apenas decidiram se retirar e aguardar. Houve gente temente a Deus tanto entre os que saíram quanto entre os que ficaram. Quando João Batista veio, ele não veio através da sua linhagem sacerdotal que seria natural, ele veio como um profeta, ele não era um fariseu, nem um saduceu, nem um sacerdote, não era um essênio, ele não estava nos padrões daqueles dias, eles não tiveram como encaixar ele nas definições que possuíam, quem é este? Ele não se parecia com ninguém das seitas ou grupos daquele tempo. Sua mensagem era simples e até mesmo rude. Alguns dizem que ele foi criado por essênios, não duvido, mas uma coisa aconteceu, ele foi gerado fora daquele ambiente religioso, esse era o chamado dele, mas do mesmo modo como ele foi usado pro Deus para abrir os olhos de muitos para a vinda do Messias, e veio de fora, vemos pelos evangelhos que muita gente de Deus ainda permanecia lá dentro daquele sistema corrompido, de alguma forma, talvez o caminho de uns seja por um lado e o de outros seja por outro lado.

Quando Jesus veio, ele também veio de modo inesperado, veio de fora e experimentou grandes controvérsias e resistência sempre que tentou pregar do lado de dentro. Boa parte do seu ministério foi realizado do lado de fora do templo, nas casas, nas vilas, no mar, nos lugares do dia a dia das pessoas. Parece que os fariseus e os demais, que pensavam que haviam "prendido" Deus dentro do templo, e que poderiam cobrar ingressos das pessoas que queriam vê-lo, agora não podiam compreender Jesus fazendo em carne o que sempre fez em sua onipresença, andando entre os mais simples entre o povo, e ajudando as pessoas. Jesus fez muitas coisas inéditas quando em carne, mas ele mostrou a todos que sempre foi ele quem fortaleceu os corações dos homens nos momentos mais fracos, e que ele não estava preso ao templo como os fariseus pensavam, ele era o templo verdadeiro que Moisés viu no céu. Do mesmo modo que João Batista arrebanhou seguidores, Jesus arrebanhou e ainda um outro tanto, e isso enfureceu de inveja os fariseus e demais, e começaram a conspirar para matar Jesus. De certo modo eles se sentiam feridos, o povo pendia para ouvir Jesus, eles estavam perdendo a exclusividade, o monopólio, o dominio exclusivo sobre a fé e vida das pessoas. Jesus disse que eles não amavam a Deus, eles amavam ser chamados de mestre, amavam ter os locais de honra nos banquetes, amavam ser adorados como deuses. Você precisa entender o tamanho do status que possuia um fariseu naqueles dias, ou um escriba, eram pessoas altamente reconhecidas, altamente prestigiadas, altamente celebradas, eram tidos por todos como instruidores e guias espirituais, mas isso só durou até que Jesus veio e começou a abrir os olhos dos cegos, a levantar os aleijados, e a devolver a audição aos surdos, e então todos passaram a perceber que as palavras de Jesus não eram como as dos fariseus, ele tinha autoridade no seu ensino.

Jesus nunca exitou em avisar que aqueles que o povo julgava serem seus líderes espirituais não eram assim tão espirituais. Na verdade os alertas de Jesus foram muito claros no sentido de que os fariseus não eram pessoas a serem seguidas apesar de toda a sua aparência de santidade e piedade, e aparência de alguém que tem fervor e devoção a Deus. Eles são guias cegos, se um cego guiar outro cego ambos vão cair numa cova. Vocês são sepulturas invisíveis, os homens andam por vocês e não sabem. O Senhor não pensou como pensam alguns hoje "se eu expor os pecados destes líderes que eles prezam tanto eles vão se escandalizar e vão deixar de crer em Deus". Eu quase posso dizer que posso escutar o desespero do coração de Deus em falar a verdade para os homens, era como Jesus gritando as suas consciências "eles não são o caminho, eu sou o caminho a verdade e a vida",  "vocês estão no caminho errado". E Jesus atraiu todas as pessoas a ele próprio "parem de seguir estes caras, venham após mim". Tudo que Jesus fez foi tirar os olhos do povo dos atuais mestres e sacerdotes e colocar os olhos do povo nele próprio. Essa é a parte em que muitas pessoas confundem, em João 4 aquela mulher perguntava para Jesus o que atualizando a questão poderia significa "qual é a igreja certa? em qual igreja devo congregar?" Ela queria saber como adorar a Deus, e achava que encontraria algum lugar físico de adoração. Pode existir um local físico de adoração espiritual? Deus é Espírito e importa que os que o adorem o adorem em espírito e verdade. Você pode fazer parte de qualquer denominação religiosa da face da terra, até que você descubra este local secreto de adoração, nada vai valer nada para você, e a sua alma vai permanecer com sede de Deus.

Igrejas não podem satisfazer a sua alma, denominações não podem, reuniões não podem, falsos profetas não podem, pregadores ungidos não podem, o único que pode é Jesus Cristo.

Os fariseus naqueles dias não entenderam que Deus poderia estar também com outro grupo e que aquele grupo não fosse eles. Eles não poderiam aceitar que Deus viesse de algum lugar que não fosse eles próprios. Para eles o avivamento final teria que vir deles e de mais ninguém. Eles se julgavam os guardiões da santidade do Senhor. Mas os discípulos de Cristo tiveram atitude semelhante nos evangelhos, e eu realmente penso que a maioria dos cristãos que conheço hoje não passou ainda da condição de discípulo em seus primeiros passos. Uma boa parte nem posso chamar de discípulos, eles não estão nem mesmo aprendendo com o Senhor, estão interessados em bençãos e prosperidade material, soluções terrenas somente. Mas entre os que são discípulos, boa parte se parece mais com os apóstolos nos evangelhos do que com os apóstolos, bem mais maduros nas suas cartas. Sim, há uma grande diferença entre os apóstolos no evangelho e as cartas que eles escreveram. Naqueles dias eles entenderam que Jesus era o Messias, o Filho do Deus Vivo, receberam revelação de Deus a esse respeito, e mesmo assim, quando apareceu uma pessoa fazendo as obras de Cristo mas que não andava com eles, eles foram e proibiram a pessoa de pregar e expulsar demônios. Jesus os repreendeu, leia esta passagem nos evangelhos. Novamente eles estavam tentando entrar num pensamento exclusivista, algo como "nós fomos escolhidos por Jesus e agora só através de nós ele irá operar", "Jesus rejeitou o antigo sacerdócio e nós fomos colocados no lugar, quem é este sujeito para fazer o que só nós podemos fazer?" Mas eles se esqueceram que ninguém pode ter alguma coisa se não lhe for dada do alto. Nas cartas dos apóstolos e no livro de Atos vemos muito bem que este problema foi resolvido, tanto que os apóstolos aceitaram o ministério de Paulo.

Paulo quando convertido e ungido pelo Espírito Santo não foi pedir conselho ou permissão aos apóstolos de Jerusalém, ele saiu pregando o evangelho pelo mundo conforme a direção de Deus. A igreja de Jerusalém não o enviou, apenas o reconheceu como apóstolo. Eles não criaram caso por ele não ser parte dos doze. Quero dizer, a igreja de Jerusalém não era um poder centralizador naqueles dias. Apesar de sua autoridade reconhecida por todos, eles não disseram para Paulo "oh, você não deveria ter começado a pregar sem antes nos consultar, sem antes se formar em nossos seminários, sem antes pegar aqui a nossa carteirinha de ministro ou nossa carta de recomendação e pagar as taxas da sua inscrição". Eles viram o testemunho de Paulo e dissem "vá com Deus, ele seja contigo". Pedro não reclamou "você agiu em rebeldia, está fora da minha cobertura espiritual". Pedro não pensou "ah, agora esse Paulo vai querer tomar a liderança para ele, quem ele pensa que é?" "Eu sou apóstolo a mais tempo, apontado pelo próprio Deus..." Não houve disputa de liderança entre Paulo e Pedro, houve uma sincera amizade, a tal ponto que Pedro em sua segunda carta recomenda as igrejas que leiam as cartas de Paulo. Hoje muitos pastores não querem que as ovelhas ouçam sermão de mais ninguém a não ser deles mesmos. Eles dizem que é para elas não se contaminarem, mas esta atitude demonstra uma atitude de um manipulador e dominador de rebanhos.

Os primeiros desigrejados

De acordo com a história após a morte dos apóstolos a igreja passou por algumas dificuldades para se manter unida. Se a autoridade dos apóstolos era reconhecida quase unanimemente (reconhecida e não imposta, há uma diferença), após a morte deles houveram uma série de disputas a respeito de pontos do ensino dos apóstolos. Naqueles dias as pessoas recorriam aos discípulos diretos dos apóstolos, alguns deles foram bispos nas igrejas daquele tempo, e assim tiravam as suas dúvidas. Mas pouco a pouco começou a crescer na igreja, entre os líderes, "em nome de Cristo e de manter a pureza da fé", cada vez mais divergências e tristes disputas por poder e liderança. Alguns bispos começaram a brigar para ver que é que "se assentaria na cadeira de Pedro", quem é que mandaria na igreja naqueles dias. Quer dizer, se eles tivessem uma questão onde não chegassem a um consenso, quem daria palavra final? Qual a igreja que todos deveriam se sujeitar e reconhecer como mãe? No passado notoriamente seria Jerusalém, mas com o passar dos dias o bispo de Roma começou a desejar para si o primado entre os bispos e outros bispos não ficaram para trás. Eu só quero que você entenda uma coisa, não foi exatamente uma disputa aberta por poder e domínio do rebanho. Começou como algo sutil e mascarado de boas intenções, afinal, pastores que eram tinham que zelar pelo rebanho de Deus. E neste zelo sem entendimento, a igreja parece cedo ter dormido e o inimigo de nossas almas semeou a discórdia e falta de entendimento entre alguns líderes. Mesmo assim a igreja andava unida de certo modo, e é claro que ainda era uma época de ouro repleta de testemunhos de fé e coragem cristã, mas as portas já estavam se abrindo para o erro que viria acontecer depois.

Quando nós falamos deste erro, da aliança política de Constantino com a igreja daqueles dias, já estamos aqui em 300 d.C. isso é motivo de bastante controvérsia. Um dos motivos é que o cenário ali era um tanto quanto complicado, e os eventos que iriam acontecer depois, como a queda do Império Romano Ocidental, fazem alguns advogarem que foi bom a igreja ter estado em aliança com Roma, pois quando da queda do Império, provavelmente se a igreja não tivesse assumido o poder, provendo muitas coisas para a população, talvez o destino daquele povo todo pudesse ter sido até mesmo pior do que o foi nas mãos da igreja naqueles dias. O clima do Império Romano era de constante disputa entre os líderes, e vemos se cumprindo o que Paulo escreveu "que os poderosos deste mundo se devoram, se aniquilam". Tudo que estou descrevendo até agora se resume a uma coisa, disputas de poder, tendo como pretexto o bem de todos, mas na verdade sendo o real interesse o bem de alguns poucos, algumas vezes começando bem, mas terminando de forma egoísta. Nenhum Imperador Romano vivia tranquilo, sempre tinha alguém, muitas vezes na sua própria casa, disposto a tramar um golpe, o assassinar, e tomar o Império para si. Manter o império unificado era um grande desafio de qualquer imperador romano, e além do poder militar para conter revoltas, havia muitas outras formas de manter a unidade do império, uma das principais formas era manter as pessoas unidas através da religião deles, o culto aos deuses.

Qualquer pessoa que se recusasse ao culto aos deuses romanos era tida como um traidor do Imperador, afinal, o próprio Imperador (e as vezes houve mais de um imperador ao mesmo tempo), era tido como um deus e conforme o costume deveria-se queimar incenso a ele. Os cristãos apareceram nesta cena, no primeiro século, e foram vistos como uma pedra de tropeço para os planos romanos de manter o império unido em torno da religião. Quando roma invadia uma cidade, e eles possuíam outra religião, normalmente lhes era permitido manter sua religião, e não eram necessariamente forçado a adorar os deuses romanos. Os judeus mesmo conforme vemos nos evangelhos continuaram no templo, cultuando, e isso era permitido desde que não houvesse revoltas ou conflitos, nada que perturbasse a unidade do império. O menor sinal de revolta poderia levar o responsável pelas cidades a morte, este era o medo de roma, que todo o reino entrasse em rebelião. Quando o cristianismo surgiu e começou a se espalhar pelo mundo e as pessoas começaram a ouvir sobre o evangelho, uma nova doutrina, um novo Deus, assassinado como um criminoso numa cruz romana, por certo Roma se sentiu ameaçada, não espiritualmente, mas politicamente eles julgaram (sem conhecer) que aquela doutrina dos cristãos poderia significar uma desunião no império, afinal, tocava em um dos pilares que mantiam a unidade do império, a religião deles. Então no meu ponto de vista os cristãos foram, e até hoje são, muito perseguidos muito mais por uma questão política, uma disputa de poder, do que por amor a algum deus ou causa.

Após 300 anos de perseguição sangrenta e o número de cristãos apenas aumentava. Nessa época Imperador Constantino enfrentava uma grande luta para manter-se no poder, haviam outros três Imperadores, e o medo era de que um matasse o outro e quisesse dominar sobre todos. Constantino foi mais esperto que os demais e ganhou dos três imperadores. Talvez a sua principal estratégia naqueles dias, que muitos atribuem como coisa boa, mas para mim foi apenas uma estratégia militar e política, foi justamente unir-se a igreja e parar de perseguir aos cristãos. O próprio Constantino teria se convertido, ainda que essa afirmação é muito questionável, e foi sob seu comando que a liberdade religiosa aos cristãos foi dada, e finalmente, pelo menos na lei era proibido perseguir aos cristãos e qualquer outra religião que fosse favorável a Roma. Nós lemos nas cartas dos apóstolos sempre a pregação de respeito aos reis e autoridades constituídas, os sermões não eram nem de longe ameaça para o Imperador Romano, mas eles o enxergaram assim naqueles dias e um banho de sangue aconteceu por 3 séculos, por medo dos cristãos tomarem o poder ou desestabilizarem o Império foram trucidados com muita raiva pela Roma Pagã. Mas agora as coisas começavam a mudar, os cristãos começavam a ser queridos do imperador e ter poder político e posição de influência na sociedade. Tudo tem o seu preço, e se isso foi bom por um lado, pois terminou a perseguição violenta, foi ruim por outro lado como vamos ver.

Naquela época houveram alguns grupos de cristãos que duvidaram muito da proposta de Constantino, bem como da sua conversão a Cristo, e julgavam que aquilo era apenas o diabo disfarçado de cristão querendo os enganar. Até este ponto, por mais disputas que pudessem haver entre alguns temas dentro da igreja, e entre alguns bispos por questões doutrinárias, poderia se dizer que só havia uma igreja, com todos seus problemas, mas ninguém realmente conseguiu o primado para si. A estratégia de Constantino porém resultou num maior apoio do Império Romano para a igreja, a construção de templos suntuosos para os cristãos, pagamento de salários aos bispos, cargos públicos, chefias, e os cristãos começaram a mandar cada vez mais e mais, e ter mais e mais influência (mas sempre houve este grupo que não aceitou tais coisas e permaneceu buscando a Cristo porém acabou se separando dos bispos que aceitaram se abraçados pelo "estado romano"). Constantino não contava com uma coisa, se a ideia dele era usar o cristianismo como uma religião para unificar o império, ele não imaginava o quanto os cristãos, já naqueles dias, estava divididos entre si a respeito de questões doutrinárias. Talvez ele tenha balançado um pouco, mas decidiu-se fazer um concílio de igrejas, para que todos chegassem a um acordo a respeito daquelas questões, pudessem então definir claramente o que é e o que não é cristianismo, e assim todo mundo ficasse unido no mesmo parecer. Soa bem não? E é justamente em nome de "boas ideias" que as maiores destruições entraram na humanidade.

Houve um Concílio em Nicéia, praticamente a mando do Imperador, onde ele juntou os cristãos e eles deveriam decidir ali o que seria aceitou ou não como cristianismo. A partir de então, progressivamente, e com a chancela do estado romano, a igreja que aceitou as deliberações do concílio de Nicéia e que aceitou o apoio do imperador começou a ganhar mais e mais poder político, até que os hereges, sim, os cristãos hereges começaram a ser perseguidos por força de lei pelos bispos e cristãos que tinham o apoio estatal. Estou falando estatal para usar termos atuais. Criou-se ali então uma igreja, que era reconhecida pelo estado como oficial, e nenhuma igreja poderia haver fora dela sendo os grupos não submissos a igreja apoiada pelo estado romano considerados inimigos do império e portanto, nada mudou, sofreriam perseguições, torturas e até mesmo a pena de morte. Neste ponto da história, pós Constantino, posso dizer que claramente nós tivemos duas igrejas definidas no plano visível, uma delas apoiada pelo império, e outra não, se tornou menor, menos poderosa financeiramente, sem poder político, e sem poder financeiro. Quero dizer com isso que cristãos continuaram sendo perseguidos pela roma cristã. Se antes perseguiam em nome dos deuses, agora, perseguem em nome da igreja, em nome de estar ajudando a igreja a combater heresias e se manter saudável espiritualmente. Toda a história eu não vou contar aqui, mas há muito que se aprofundar neste assunto. Os registros sobre os grupos cristãos fora da igreja oficial, que se tornou na igreja católica que conhecemos hoje, possuem poucos registros, ora porque foram destruídos, ora porque realmente eram grupos escassos, mas muitos deles tinham acesso as escrituras, algo que se tornou cada vez mais raro e até mesmo proibido, especialmente após a queda do Império Romano Oriental, por volta do ano 500 d.C, quando finalmente a igreja assumiria por aproximadamente 1000 anos o governo do Ocidente, especialmente a Europa, domínio que apenas começaria a ter um fim após os eventos da reforma protestante e muitos outros dos quais não falarei aqui.

O período de domínio da igreja católica, a chamada idade média, é chamada por alguns historiadores de período das trevas, mas pessoalmente eu não acho que isso faça justiça completa ao que realmente aconteceu ali naqueles dias. Quando o império romano caiu, naturalmente todas as instituições caíram e apenas uma restou de pé, a igreja católica, e portanto, ela começou a fazer as vezes de governo na vida das pessoas, as pessoas tinham que ir as igrejas buscar por socorro. Quando a igreja veio ao poder ela tentou usar o cristianismo como lei para todo mundo, processo este que já vinha acontecendo desde Constantino, mas na verdade não era exatamente o cristianismo de Cristo e dos apóstolos, já era ali uma mistura muito grande de erros doutrinários e enganos, juntamente com propósitos de coração desviados. Apesar disso houve bastante progresso científico nesta época, ainda que o estudo era basicamente restrito ao clero da igreja e aos nobres, chegando até o ponto de ser proibida a leitura da escritura por parte dos fiéis. Digamos assim que ser católico era uma obrigação naqueles dias, isso não era de todo ruim, muitos filósofos e pensadores que surgiram depois, juntamente com a época da reforma protestante, questionaram os dogmas da igreja (verdades que não se admitia ser questionadas), porém a atitude da maioria, quase todos para não dizer todos estes filósofos foi simplesmente ignorar tudo que a igreja fez por mil anos, toda a produção literária e científica, filosófica, e ter tudo como errado, ultrapassado, e antigo, e que só agora, com a chegada destes tais pensadores modernos era que a verdade estava sendo descoberta. Eles agiram no meu modo de ver com uma grande arrogância, despejaram seu ódio a Deus sobre uma igreja que era digna de censura e reprovação, mas acabaram por achar que eram donos da verdade tanto quanto a igreja o achou durante boa parte do seu domínio.

Este é também um assunto que requer maior aprofundamento, mas o ponto que estou levantando é que, mesmo durante o domínio desta igreja católica, universal, oficial, houveram pequenos grupos que nunca se aliaram e protestaram contra a fé católica, tendo a fé católica como uma deturpação dos mandamentos de Jesus Cristo. Primeiro de tudo, o cristianismo nunca foi um sistema de governança político para esta terra, é para o coração do homem, portanto achar que se pode pegar a bíblia e torná-la a constituição de algum país é uma grande loucura, simplesmente porque o evangelho não nos foi dado para este propósito. Estes grupos separados e perseguidos pela igreja oficial católica, eram os "sem igreja" daqueles dias, os desigrejados. Ai vem a minha crítica ao uso deste termo, pois ele pressupõe que há alguma igreja verdadeira, e que os que não fazem parte dela são sem igreja. Mas tal afirmação sempre vem de forma tangível, exemplo, a declaração da igreja católica de que fora da igreja não há salvação (extra ecclesiam nula salus). Uma afirmação exclusivista, e que submete a salvação de todos a obediência aos mandamentos da "mãe" igreja católica. Isso é submeter a salvação de uma pessoa a outra pessoa, e a nossa salvação só está submetida a Jesus Cristo. Mas a atitude católica que nasceu de um plano de unidade política trazido por Constantino depois encarnou-se num sistema político-religioso com a queda do imperio romano, com poder centralizado nas decisões do papa em roma (supostamente centralizado pois na prática o papa não tinha condições de mandar tanto assim, os domínios da igreja eram muito grandes, então na prática muitas e muitas vezes cada bispo fazia na verdade o que bem entendia e poderia de certo modo contrariar o papa sem ser percebido --- na época não tinha internet para vigiar todo mundo), e assim, todos que não se submetessem, estavam pela igreja católica (e até hoje este é o ensino vigente) condenados ao fogo do inferno.

A reforma protestante

Eu não preciso dizer que se a igreja católica se achava (e ainda em seus dogmas se considera) como a única representante oficial da fé cristã na face da terra, e que apesar de sempre existirem grupos pequenos que cultuavam fora da igreja católica, porém sem grande alcance e expressão perante a história, na época da reforma protestante então seria pecado além de crime qualquer pessoa contrariar os ensinamentos da igreja católica. Há aquela história toda de que as missas eram rezadas em latim, e o latim usado pelos padres era diferente do latim que o povo conhecia e falava, sendo que boa parte das pessoas não falava latim, e então não havia ensino das escrituras na igreja católica, em nome de defender a fé e manter a unidade e pureza da doutrina apenas aos bispos era permitido ter acesso, ler e interpretar a bíblia, eles deveriam ler e dar a interpretação para os outros, mas na prática havia muito pouco ou quase nenhum ensinamento a respeito das escrituras fora da igreja. Este tipo de tradição chegou inclusive ao Brasil, já cheguei a conversar com pessoas antigas que afirmavam que haviam padres que diziam que ninguém poderia tocar na bíblia ou morreria, que apenas os padres o poderiam fazer. É claro que este ensinamento mudou com o tempo, mas não faz muito tempo, se bobear ainda há igrejas no Brasil que rezam missas em Latim.

Quando o protestantismo sugiu em cena (ou os protestantismos pois há mais de uma linha protestante que surgiu junto da reforma), é desnecessário falar que os protestantes originais, no desenrolar do processo da reforma, foram acusados pelos católicos de heréges, foram perseguidos, e eram tidos como "os sem igreja", os protestantes que protestaram contra o catolicismo, a princípio tentando reformar a igreja católica, e após isso separando-se definitivamente dela, eram considerados pelos católicos como "desigrejados". Valendo-se da máxima católica de que "extra ecclesiam nula salus", os protestantes eram considerados sem igreja e portanto sem salvação, pois estavam se rebelando contra a autoridade do bispo de roma, que era o papa, considerado pelos católicos como uma autoridade levantada por Deus, então os protestantes, a reforma protestante, começou como um movimento de pessoas que conheciam e conheceram as escrituras e começaram a ver que muitas das práticas e ensinos da igreja católica estavam errados e se levantaram contra e para falar a verdade ao povo. O nome de Lutero foi o nome que ficou mais conhecido, e vou me poupar aqui nesta postagem de fazer críticas a reforma protestante, se necessário farei mais a frente, porém a reforma protestante não se restringiu a pessoa de Lutero, houveram muitos outros na época que digamos assim, saíram da "cobertura espiritual" da igreja católica, desafiaram a liderança da igreja católica, confrontaram a liderança da igreja católica com as escrituras, e por fim, pararam de congregar, foram expulsos, excomungados, até mesmo assassinados, e eram na época tidos como "desigrejados".

O mais curioso de todas as coisas é que hoje em dia, os argumentos que os protestantes/evangélicos, usam para com os atuais "desigrejados" é justamente muito semelhante aos argumentos que os católicos utilizavam com os protestantes no começo da reforma. Os bispos católicos não podiam admitir que estavam em erro em muitas coisas, uma das principais era de esconder as escrituras das pessoas comuns e não lhes dar acesso a educação formal, coisa que a igreja possuia dinheiro de sobra para fazer na época. Por mais que fosse difícil possuir cópias das escrituras nos tempos da idade média, já que as cópias eram manuais, caras e demoradas, pois não havia prensa ou impressoras, como se explica que os judeus conhecessem a Torá mesmo sem ter cópias abundantes a sua disposição? É claro que é porque os rabinos explicavam a Torá, mas os bispos católicos não explicavam a bíblia. Os protestantes confrontaram muitas coisas e esta foi uma delas, se há um fato extremamente positivo da reforma protestante foi o espalhar das escrituras, inclusive impulsionada pela invenção da imprensa, que facilitou a cópia de livros e da bíblia, houve um grande movimento de tradução das escrituras para diversas línguas e a bíblia que antes estava restrita nos cofres da igreja católica agora estava nas mãos de todos os homens, e eles podiam ler e ver com seus próprios olhos as palavras de Jesus. É claro que o protestantismo não foi um movimento perfeito, e nem mesmo em uníssono, houveram várias linhas, divergências, mas houve um tradutor da bíblia para o inglês, se bem me lembro foi Willian Tyndale, que preso por estar traduzindo a bíblia e espalhando a bíblia, foi interrogado pelos bispos católicos e disse para eles algo como "se vocês não me pararem em breve o mais simples camponês vai saber mais das escrituras que todos os seus bispos". E ele foi queimado vivo por estar distribuindo a bíblia traduzida em inglês.

Os católicos militantes hoje em dia ainda defendem a igreja católica dizendo que ela na verdade preservou as escrituras, alguns chegam a dizer que a bíblia é um livro de católicos para católicos, o que chega a ser absurdo além de antibíblico. Por tudo que já pesquisei sobre o assunto permaneço até hoje convencido que os bispos católicos não preservaram a escritura, eles esconderam a escritura do povo por meio de dois mecanismos, um deles era deixar o povo sem leitura, sem conhecimento, o outro era proibir o acesso do povo ao próprio livro, usando inclusive de ameaças em nome de Deus para quem ousasse tentar ler e interpretar. Eles tomaram para si a chave da ciência, como se só eles pudessem ler e interpretar a bíblia, como se só eles tivessem tal autoridade, e ameaçaram com a punição divina quem tentasse fazê-lo, ao mesmo tempo que puniam também em seus tribunais quem violasse esta ordem. No caso seria o mesmo que cegar uma pessoa dos dois olhos para ela não poder ver a verdade. Não há razões para um sacerdócios santo e cheio de Deus querer que o rebanho se afaste das escrituras. Todas as recomendações apostólicas são para que se ensine a palavra na igreja, inclusive na língua que as pessoas compreendam, mas nunca para que só os bispos ou pastores possam ler a escritura. Mas na época além de manter o povo analfabeto ainda lhes proíbiam de ter acesso a bíblia. Por que tanto medo de que o povo lesse as escrituras?

Então a reforma protestante, que foi incialmente um movimento de desigrejados, e que até hoje é considerado "sem igreja" pelos católicos militantes que pensam que só a igreja católica é igreja, teve um grande valor e contribuição na história do cristianismo pois abriu as portas do acesso a escritura para todos os povos. Sem isso até hoje estaríamos ouvindo missas em latim sem ter oportunidade de conhecer a bíblia e os protestantes que já foram chamados de desigrejados hoje chamam tantos outros também de desigrejados.

Os protestantes estão cuspindo no prato em que comeram?

A história do movimento protestante é um capítulo a parte, e minhas postagens aqui não tem como intenção esgotar o assunto. De fato você precisaria tomar tempo e estudar cada uma destas coisas que estou te passando mais a fundo se quisesse entender melhor de onde tomei as minhas conclusões. Estou apenas dando um resumo um pouco mais mastigado que para alguns será de grande valor. 

É importante sabermos que quando lemos as histórias das inquisições católicas, muitas vezes não conhecemos que também houveram inquisições protestantes. Em muitos casos o protestantismo se tornou um poder político, tão dominador e tirano quanto foi uma boa parte do catolicismo. Entre os protestantes houveram divergências as vezes graves e só para não me alongar demais, mas se andarmos um pouco mais na história vamos conhecer a história de alguns pregadores, protestantes, que hoje são homens reconhecidos pelos protestantes como homens de Deus, inspiram muitos pregadores, muitos pregadores hoje citam seus nomes em sermões, leem seus livros e biografias, mas que na época em que pregaram nas igrejas protestantes foram expulsos das igrejas protestantes dos seus dias. Só para citar dois nomes, poderia falar de Jonh Wesley e George Whitfield. As igrejas protestantes da época não os aceitaram, Wesley chegou a declarar que "o mundo é a minha paróquia", pois continuou sua missão como evangelista pregando o evangelho do lado de fora da igreja já que não era aceito do lado de dentro. O mesmo podemos dizer de Whitfield. Nada de dizer que eram homens perfeitos, mas nas suas épocas eram pregadores de "carreira solo" que não foram aceitos pelas igrejas protestantes dos seus dias, em resumo, estes homens e outros, que hoje são tidos como exemplos de fé e doutrina, são hoje tidos como exemplo de conduta, eram nada mais nada menos do que, sim, isso mesmo, desigrejados em seus dias.

Algumas vezes me parece que a história sempre se repete, a humanidade vem sempre caindo nos mesmos erros, mil vezes mil vezes caindo nas mesmas coisas. Vem uma geração e vai outra geração, mas os erros que se comete são os mesmos. Do mesmo modo como católicos acusaram protestantes de serem desigrejados, sem igreja, protestantes acusaram outros protestantes de serem sem igreja quando não se submetiam aos ritos e entendimentos de suas instituições, agindo assim exatamente como os católicos agiam. Hoje nós temos a igreja metodista, que "ostenta" o nome de Jonh Wesley, mas será que permitiriam que o próprio Wesley pregassem em seus púlpitos hoje? Mas os pastores e bispos daqueles dias não puderam compreender o que estava acontecendo, todas as vezes que Deus levanta homens, imperfeitos, para confrontar de algum modo o sistema que estamos tentando estabelecer, e a bagunçar um pouco as coisas para nos confundir em nosso próprio entendimento a igreja tem caído e tropeçado por não poder entender, um, que Deus não precisa da igreja, é a igreja que precisa de Deus, dois, que Deus não está preso as nossas reuniões e cultos, ele pode vir lá do lado de fora e pode estar fazendo muita coisa para além dos nossos limites que nós nem estamos vendo. Deus não está preso a nós, não está limitado a nós. Por isso que a começar pelos reformadores, e por outros pregadores do protestantismo, muitos deles que hoje são reverenciados como heróis, um dia foram pregadores sem igreja, chamados de rebeldes, loucos, hereges, nada ortodoxos, etc, etc, etc.

O movimento atual dos desigrejados

Esta deve ser a postagem mais longa que escrevi até agora, e eu realmente não me importo de tomar tanto tempo assim para escrever estas coisas. Sei que boa parte nem vai chegar até o fim da leitura, tudo bem que não sou um grande escritor, mas para algumas pessoas será importante ler tudo que escrevi aqui. O movimento atual dos desigrejados para mim se parece muito com o que aconteceu com a reforma protestante naqueles dias. Foi um movimento que começou a ter acesso as escrituras e descobriu ali verdades que haviam sumido dos púlpitos. Estas pessoas inconformadas, e muitas vezes movidas pelo Espírito Santo e outras vezes apenas pela impaciência e altivez carnal, acabaram abrindo a boca e denunciando muitas coisas erradas. Não houve uma igreja para pregar teses na porta, mas hoje temos a internet onde podemos soprar qualquer coisa para os quatro cantos da terra em segundos. Assim como a reforma protestante foi cheia de erros e defeitos, mas teve a sua parte boa. Poderia dizer que o catolicismo também foi cheio de erros e defeitos mas teve a sua parte boa. E os desigrejados atuais também são cheios de erros e defeitos mas tem com certeza a sua parte boa. Do mesmo modo que o catolicismo não é um movimento cem por cento unificado, pois mesmo que fosse possível, com o papa controlaria a atitude de todos os bispos? Então há divergências mesmo dentro do catolicismo. Assim também a reforma protestante não trouxe uma unanimidade de doutrina e ensinamento, trouxe uma importante crítica ao catolicismo, ao meu modo de ver até superficial e incompleta em certos pontos, mas ao mesmo tempo me parece que manteve certas raízes católicas que vieram a brotar mais tarde, ou seja, caiu e incorreu em muitos dos mesmos erros do catolicismo.

Com os desigrejados atuais, a maioria oriundos de igrejas protestantes, mais específicamente de igrejas pentecostais e neopentecostais, a grande maioria saiu destas igrejas, e com eles não é diferente. Não é um movimento unificado, nem todos pensam igual, e ao passar do tempo muitos grupos foram se distanciando em seu entendimento a respeito de muitos assuntos. Alguns grupos realmente apostataram de vez de Cristo. Outros perseveram na fé apesar de serem rotulados como 'sem igreja'. É exatamente por isso que eu não gosto deste termos "desigrejados", pois uma pessoa pode não fazer parte de uma igreja seja protestante ou católica, e ainda assim ser parte da igreja espiritual de Jesus Cristo. Do mesmo modo, o mero cartão de membro ou certificado de batismo, o participação na ceia, num culto ou em uma eucaristia, pode ser somente de corpo presente, mas de coração ausente do Senhor Jesus Cristo. Por isso muitos mesmo frequentando uma igreja estão longe do Senhor. Tem compromisso com o ritual do culto, festividades, atividades eclesiásticas, mas não tem compromisso com Jesus de fato não o conhecessem. Assim como Nicodemus era mestre em Israel mas não havia nascido de novo, muitos hoje em dia estão exatamente do mesmo modo. Como já disse em postagens anteriores, também não é o fato de sair de uma igreja que vai te salvar, quem salva é Cristo.

Com o passar do tempo muitos desigrejados conseguiram algum grupo de irmãos e cultuam, muitas vezes nos lares. O começo do cristianismo foi nos lares, a bíblia faz diversas referências as igrejas (reuniões) nos lares. Mas com o tempo parece que isso foi esquecido. Hoje as pessoas em geral desprezam bastante as igrejas nos lares, só valorizam se for uma 'célula' de uma 'igreja-templo'. É como se para se reunir em nome de Jesus nós precisássemos da autorização de uma autoridade espiritual reconhecida por Jesus, uma "igreja". As pessoas dependem demais da autoridade, suposta autoridade na vida dos outros, e muito pouco do Espírito Santo em suas próprias vidas, não aprenderam que com Jesus é "levanta e anda", anda com as suas próprias pernas e não sendo carregado com a muleta dos outros! As pessoas sempre vão querer algo ou alguém para se escorar, e se as vezes precisamos de apoio e escora, as vezes também o apoio pode nos deixar bastante acomodados! Você sempre quer se apoiar numa instituição, num pastor, em algo visível para ter comunhão com Deus! Isso é muito diferente dos que utilizam símbolos, pedras, cristais, amuletos, coisas visíveis para tentar se conectar com o divino?

Alguns dos irmãos que conheci ao começo da caminhada fora da igreja oficial hoje reuniram tantas pessoas que acabaram abrindo igrejas, literalmente igrejas-templos, são pastores, e graças a Deus aparentemente tem igrejas crescendo em graça e conhecimento do Senhor Jesus Cristo. Outros permanecem apenas o marido e a mulher na sua casa. As vezes, muitas vezes sozinhos, mas não sem o Senhor. O Senhor é a presença mais ignorada de todas, aquele que sempre está ao nosso lado, mas que muitas vezes preferimos outras companhias do que a dele. Eu falo por experiência própria, o ser-humano não gosta da solidão, mas muitas vezes se não forem tiradas todas as pessoas do seu lado você não vai dar a devida exclusiva atenção para a presença de Deus. Quando tudo te é tirado na terra você percebe que tem tudo te esperando no céu, por isso homens e mulheres de Deus passam muitas vezes pela experiência da solidão, estar a sós com Deus, estar a sós até que você possa reconhecer a Deus. Há experiências que são em grupo, e outras que só podem vir você estando a sós. São particulares, só para você e o seu Deus. Por isso para mim, dizer que os cristãos que saíram das denominações mas mantém a sua fé em Deus em Jesus são pessoas sem igreja, desigrejados, é colocar um rótulo, é um rótulo arrogante colocado por pessoas altivas que mal sabem o que é igreja e que pensam que só pode ser igreja se fizer parte da "igreja deles". Com efeito, nem estar dentro nem estar fora de uma igreja tem algum valor, mas sim o ser uma nova criatura. Entrar ou sair de uma igreja está no poder humano, e nada que está no poder humano pode salvar alguém. A circuncisão feita por mãos humanas não salvava, pense nisso.

Por isso eu não me considero um desigrejado, termo que virou infelizmente sinônimo de desviado, ainda que haja muitos desviados mesmo dentro da  igreja, talvez haja até mais desviados dentro da igreja do que fora dela hoje em dia. Não desprezo as pessoas que ali frequentam igrejas-templo, muitos ali são meus irmãos em Cristo, lavados e remidos, disso tenho certeza plena. Mas pelo que percebo, meu caminho tem sido e há de ser aqui por fora. Se o teu caminho é lá por dentro, siga o que Jesus te ensinar.

Ainda vou falar sobre a importância de congregar, tenham calma.

Deus abençoe todos que vão a uma igreja, e todos que não vão, busquem Cristo e irão encontrar!

Até a próxima!

segunda-feira, 24 de dezembro de 2018

Uma mensagem aos que sentem falta de entes queridos


"A mulher, quando está para dar à luz, sente tristeza, porque é chegada a sua hora; mas, depois de ter dado à luz a criança, já não se lembra da aflição, pelo prazer de haver nascido um homem no mundo. Assim também vós agora, na verdade, tendes tristeza; mas outra vez vos verei, e o vosso coração se alegrará, e a vossa alegria ninguém vo-la tirará." João 16:21,22

Um tempo atrás eu preguei este texto para uma amiga que havia perdido os avós recentemente. Ela estava um pouco desconsolada e triste, mas as palavras de Deus fortaleceram o seu coração. O momento da morte é um momento triste e de despedida, e Jesus teve que se despedir dos seus discípulos. Ele estava prestes a morrer, mas comparou a sua morte com um nascimento, como a hora de um parto. Jesus inverteu a lógica das coisas exatamente porque a sua morte significaria vida, e a prova disso seria a sua ressurreição.

A ressurreição de Jesus estava além da compreensão dos discípulos naquele momento, eles não poderiam entender isso naquela hora, e Jesus sabia que iriam ficar tristes por não poder vê-lo mais. No entanto o Senhor lhes deixou bem claro que aquela não seria uma despedida definitiva, era apenas um "até breve" pois por mais tristes que ficaram com a partida do Senhor, em três dias eles o veriam novamente. A palavra de Jesus foi que a alegria deste reencontro seria tão grande, a alegria de ver Jesus resssucitado, que esta alegria jamais poderia ser tirada deles, seria eterna!

Estes dias de fim de ano muitas pessoas estão tristes por sentirem falta de algum amado que gostariam de ter por perto. Pessoas nascem e morrem todos os dias, e nestes dias especialmente as lembranças são muita, a saudades são grandes, e a tristeza de não poder ver quem gostaríamos de ver é muitas vezes inevitável. Mas devemos ter esperança em Deus em meio a tudo isso, mesmo quando alguns de nossos entes queridos já se foram, sabemos que o Senhor prometeu que permaneceria para sempre conosco, até o fim, até a consumação dos séculos. E é por causa de Jesus que nós temos esta esperança, contra a esperança natural, pois os mortos hão de ressuscitar algum dia, e toda lágrima será enxugada.

Nem toda despedida aqui nesta terra é definitiva, nós vamos ver muitas pessoas novamente, mas eles estarão muito diferentes, e nós também. Muitas despedidas aqui são apenas um "até breve", exatamente como o "até breve" de Jesus aos discípulos. Os primeiros cristãos costumavam pensar: "O que é morrer senão entrar na verdadeira vida?" Algumas vezes podemos pensar, que nós que estamos vivos estamos mais mortos do que os que dormiram no Senhor. E é por isso que a palavra de Cristo segue loucura para os que perecem. Nós esperamos a ressurreição dos mortos e a vida eterna. E todas as coisas serão restauradas. Quando estas coisas acontecerem, a nossa alegria será para sempre!

"Porquanto a vontade daquele que me enviou é esta: Que todo aquele que vê o Filho, e crê nele, tenha a vida eterna; e eu o ressuscitarei no último dia." João 6:40

"...e eis que eu estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos. Amém." Mateus 28:20

"Se eu não te ver mais aqui nesta terra, te verei no dia da ressurreição dos mortos."

Até lá, perseverança... paz a todos!