Arrepende-te Brasil

"O meu socorro vem do Senhor que fez o céu e a terra." Salmos 121:2

Arrepende-te Brasil

Contra os falsos mestres

sábado, 29 de dezembro de 2018

Desigrejados, porque não gosto deste termo?


"Saíram de nós, mas não eram de nós; porque, se fossem de nós, ficariam conosco; mas isto é para que se manifestasse que não são todos de nós." 1 João 2:19

Este versículo acima é um versículo de 1 João e é claro que você pode ler o capítulo inteiro na bíblia para comprender melhor o contexto todo no qual ele se encaixa. Como é 1 João um livro pequeno talvez possa ler o livro todo, ou até mesmo pelo menos um capítulo antes e outro depois para melhor compreensão do que João queria dizer. Eu comecei o meu texto de hoje justamente com este versículo de propósito, especialmente porque quero refletir um pouco a respeito do termo "desigrejado" e deixar bem claro o porquê eu não gosto dele. Para mim o termo desigrejado pode ser usado de maneira bem genérica para descrever o crescente movimento de pessoas para fora das denominações evangélicas que conhecemos hoje em dia. Também é utilizado para descrever cristãos que frequentam várias denominações, andam de denominação em denominação, talvez procurando uma igreja melhor que se adaptem, em outros casos apenas porque não querem manter vínculo com nenhuma denominação. Querem entrar numa igreja, assistir um culto, fazer orações, e apenas ir para casa, mas nada de se envolver ou tomar responsabilidades.

Acalme o seu coração, eu apenas quero que vocês compreendam uma coisa, se Jesus andasse em nosso meio ele iria repreender igualmente "igrejados" e "desigrejados", e para uma correta aplicação do evangelho de Cristo, esta divisão não cai bem. Mesmo para os mais chatos teóricos do cristianismo que fariam tal divisão apenas por questão de estudar a coisa toda, isso dai iria atrapalhar a entender a essência da natureza da mensagem de Cristo para a humanidade. Se você ler bem nos evangelho vai entender que dum ponto de vista mais alto até mesmo a nossa tradicional divisão entre igreja e mundo desaparece a depender do modo como tomamos as palavras de Deus. Na parábola do trigo e do joio por exemplo o Senhor não diz que o trigo está apenas dentro da "igreja" mas que está espalhado por todo o mundo. O trigo são os filhos do Reino de Deus. Do mesmo modo em Atos o Senhor mostrou a Pedro que a casa de Cornélio, não eram judeus, mas eles eram do Senhor, eles temiam a Deus de verdade. No mesmo passo podemos entender também os severos e constantes alertas de Jesus de que do mesmo modo que nem todos os do mundo eram de fato do mundo, também nem todos da igreja seriam de fato de Deus. O Senhor mesmo disse que não é todo que diz "Senhor, Senhor..." que entrará no reino dos céus. Algumas vezes isso é difícil de compreender pois ora a palavra igreja é usada no sentido universal e espiritual do termo, e ora é usada apenas para descrever a nossa reunião física aqui na terra. Nem todos que se reúnem fisicamente fazem parte da igreja espiritual, e muitos dos que fazem parte da igreja espiritual muitas vezes não podem se reunir fisicamente, seja por prisões, perseguições, ou outros motivos relacionados ao evangelho.

Quando falamos de desigrejados estamos falando muito provavelmente da maior "denominação" cristã do Brasil entre as denominações evangélicas. Mesmo que boa parte dos desigrejados não deseje ser chamado de evangélico, e prefira ser chamado apenas de cristão, o último número calculado estima em aproximadamente 10 ou 12 milhões de cristãos que não possuem vínculo algum com denominação alguma mas mesmo assim declaram manter a sua fé em Cristo. Para se ter uma ideia isso é aproximadamente o mesmo número de pessoas que tem a maior denominação evangélica no Brasil, a Assembléia de Deus, é mais de 20 vezes o número de membros de denominações como IMPD, 3 a 4 vezes o número de membros do que tem a Quadrangular, 5 ou 6 vezes o número de membros da IURD. Tudo isso são estatísticas e estimativas, e nós sabemos bem que quantidade numérica de pessoas não representa absolutamente a vontade de Deus ou a aprovação do alto. Muitos líderes invocam a sua prosperidade financeira, o número de membros de suas igrejas, o número de templos, número de pastores sob seu comando, número de horas de propaganda na tv, etc, como se isso fosse símbolo da aprovação de Deus. Se realmente a luta fosse uma questão numérica então os desigrejados estariam mais aprovados por Deus do que os igrejados pois em número superaram praticamente todas as denominações evangélicas em comparações individuais. Mas a questão aqui não é números pois pessoas não são números.

Por que o número de desigrejados cresce tanto?

Há muitos filhos das trevas que gostam e pretendem se aproveitar bastante da existência dos desigrejados. A sua ideia de alguma forma é fomentar a guerra entre igrejados e desigrejados, não por que eles são cristãos zelosos e desejam defender a fé em Cristo, mas justamente porque são pessoas que querem destruir a fé em Cristo e de uma vez por todas apagar o nome de Jesus da face da terra. Sim, estamos em meio a fogo cruzado, e muitos ainda nem mesmo perceberam isso. Muitas pessoas apenas querem tomar as críticas todas dos desigrejados, ou de qualquer outro que critique, e usar como um porrete para bater nos "igrejados". Sim, querem fazer com que os de fora da igreja e os de dentro se aniquilem mutuamente, pois isso seria tremendamente prejudicial para o cristianismo, tão prejudicial quanto os falsos profetas, e eu realmente não sei se o tempo em que vivemos permitirá que toda esta confusão seja desfeita. Eu luto como se fosse possível, mas eu realmente não tenho como saber se o cenário mudará, talvez o mundo tenha entrado numa espiral definitiva rumo as trevas da qual não haja mais retorno e o tempo do anticristo vir reinar neste mundo esteja próximo. Sei que outros cristãos antes de mim tiveram a mesma impressão e estavam errados, eu espero estar também, e espero ver o cenário mudando mas sou bem ciente de que isso pode não acontecer.

A igreja cristã como nós conhecemos, os católicos, protestantes, ortodoxos, as denominações evangélicas, tem muitos feitos ao longo da história, uma parte considerável destes feitos é ruim e contrária aos mandamentos de Jesus, e outra parte destes feitos é boa, e o mundo seria muito pior se tais organizações ou instituições não o tivessem feito. Nós não podemos deixar de ter um olhar equilbrado sobre todas as coisas. Mesmo hoje em dia, apesar da justa crítica a teologia da prosperidade, muitas igrejas, mais do que aparece nos jornais, muitas mantem enormes obras de assistência social no Brasil e no mundo. Seja em zonas de guerra, periferias, junto a moradores de rua, prostitutas, doentes, asilos, leprosários, mesmo as instituições que hoje consideramos desviadas do verdadeiro objetivo do evangelho, se tirássemos do mundo hoje todas as obras que elas fazem, pode ter uma certeza que este mundo seria um lugar muito mais sombrio e devastado. O que quero dizer é apenas que estar "fora da igreja" não significa querer o fim dela, nem mesmo ser a favor das coisas erradas que ela possa fazer. Ainda mais quando não estamos falando de apenas uma igreja, onde todos pensam iguais, e onde as virtudes ou os erros de um único possam ser atribuídas indiscriminadamente aos demais (a todo o grupo). Há pessoas e pessoas dentro de todas as igrejas (e fora delas), e o julgamento de Deus será individual. Se você pensa que será julgado em grupo então releia suas escrituras, a bíblia nos fala de um Trono Branco de Julgamento onde seremos julgados individualmente.

Mesmo sabendo que o número de desigrejados cresce a cada dia podemos entender que este fenômeno não é algo desconectado de toda a história da igreja, e que em muitos outros momentos tivemos eventos semelhantes, gente fugindo de falsos ensinos, falsos mestres, heresias, falsas profecias. Aliás, boa parte das heresias que se prega hoje já foram refutadas ao longo da história da igreja, e dificilmente aparecerá algo novo que já não tenha sido em algum momento da história. Nós falamos aqui por exemplo sobre os falsos Elias, homens que apareceram na história da igreja clamando serem profetas que iriam preparar a igreja para a volta de Jesus e restaurá-la a pureza dos primeiros dias, os dias dos apóstolos. A mensagem restauracionista, que em nome de restaurar a igreja de volta ao que era, primitiva, introduziu muitos erros e enganos ao longo da história, e até hoje. Citamos Montano como o primeiro exemplo deste tipo de engano, e Montano é um personagem do século II. E é por isso que eu vou resumir aqui ao longo da história da igreja, especialmente no novo testamento, mas isso poderia incluir também o velho testamento, os momentos históricos (alguns deles) em que houveram pessoas cultuando a Deus fora da religião oficial daqueles dias, fora do grupo oficial de culto daqueles dias. Eu vou usar exemplos seculares, exemplos do antigo testamento e depois vamos falar um pouco sobre o período do novo testamento, e vamos acabar com o monopólio da fé!

O monopólio da fé

Monopólio é um quando apenas uma empresa tem direito de explorar determinada atividade comercial. Neste caso ela desenvolve uma atitude de açambarcamento, que quer dizer, ela começa a tomar ou reter tudo para si mesma. É possível que uma igreja ou instituição queira açambarcar a fé para si mesma, monopolizar a fé? Sim, não só é possível como é mais comum do que imaginamos, eu realmente penso que isso seja o complexo de Deus, ou o homem querendo ser Deus, se colocando como dono da verdade. Neste mundo nós temos algumas atividades que são regulamentadas por leis, a exemplo disso poderia dizer, para você exercer a profissão de advogado não basta ter faculdade de direito, você precisa ser inscrito na Ordem dos Advogados do Brasil. É possível exercer a profissão se não estiver inscrito na Ordem? Não, não só não  é possível como não existe uma espécia de Ordem dos Advogados do Brasil 2, para se por acaso você estiver descontente com a primeira Ordem você vai e se increve na segunda. Também não existe possibilidade de você terminar a sua faculdade de direito e fundar sua própria Ordem dos Advogados, não existe isso, você terá que se sujeitar a que existe ou não poderá exercer a sua profissão. Mas será que este tipo de pensamento se aplica a igreja do Senhor? Sera que há um órgão visível, palpável, tangível, onde possamos dizer "aqui sim, esta é a igreja do Senhor e fora dela não há outra"? A verdade é que não há tal tipo de igreja oficial, isso porque a igreja é especialmente um organismo vivo e espiritual. Não se pode confundir a dimensão física da igreja, que são as nossas reuniões, com a dimensão espiritual, que está além do tempo e espaço.

Nós podemos falar sobre estas permissões exclusivistas para explorar determinada atividade usando muitos outros exemplos, futebol, existe a CBF, e temos mundialmente a FIFA, e se você for jogar na várzea do seu bairro tudo bem, mas se quiser disputar campeonatos profissionais terá de se submeter a estas organizações. Elas controlam o futebol mundialmente e são reconhecidas pelos esportistas, pelo menos pela maioria deles, então é quase impossível você conseguir fazer uma FIFA 2, se você estiver descontente com a FIFA que ai existe. Para a tua organização mundial de futebol ter algum peso ela teria que ter o reconhecimento de muitos times grandes, e estes times teriam que se submeter a sua organização. O mesmo caso poderíamos falar de algumas artes marciais, você vai prestar um concurso público para ser professor de jiu-jitsu ou de karatê, kung-fu, e no edital do concurso é exigido faculdade de educação física e registro na "federação brasileira de jiu-jitsu". Por certo em alguns meios este sistema de associações e ordens não dá muito certo, pois academias crescem bastante, e muitas vezes não veem utilidade em estar filiadas a federação brasileira sei lá, de kung-fu, e começam sua própria associação. Mas o central do que estou querendo trazer aqui é que nos termos deste mundo, é possível em alguns casos que determinado grupo de pessoas, por força de lei ou de reconhecimento, tenham a exclusividade no manejamento de determinadas atividades, mas em termos espirituais para a igreja de Cristo isso não existe, quem regulamenta a atividade do cristão é a palavra de Deus a unção do Espírito Santo.

Muitas lutas acontecem neste sentido nas organizações terrenas, pense no caso da OAB por exemplo. Se o amor do dinheiro é a raiz de toda espécie de males, imagine quanto dinheiro não arrecada uma entidade como essa? Quanta influência e poder político? Isso é bastante cobiçado neste mundo. Quanto dinheiro não entra numa CBF da vida? E por isso muitas vezes as pessoas querem postos de comando em órgãos de classe deste tipo apenas visando quanto podem arrecadar. Claro que há pessoas bem intencionadas, mas no geral não são raras disputas por conta de arrecadação financeira (e se aqui você já começa a ver uma relação com o sentimento que há entre algumas igrejas saiba que isso não é ficção, é mera realidade). Neste caso em que falei, se fosse possível cada pessoa ter a sua própria OAB, e cooptar seus próprios advogados, e receber deles mensalidade, ou a sua própria CBF, isso enfraqueceria a arrecadação da OAB, CBF e isso é algo que não seria bom para elas. Quanto menos centralizada a coisa for, menos dinheiro passaria na sua mão. Estou dando exemplos como estes mas pense no caso de um prédio, quantas pessoas muitas vezes não querem ser síndicos apenas de olhos em obter alguma vantagem. Então sendo realistas e não desmerecendo ou acusando tais organizações, que são importantes de certo modo, mas nenhum ser humano está acima da corrupção. Todo homem é corruptível, e divisões na arrecadação não são desejáveis em certos casos.

Imagine a cena do Brasil, se o estado de São Paulo dissesse hoje que não quer mais ser parte do Brasil, que quer ser um país separado. O resto do Brasil gostaria disso? Não gostaria e não seria necessariamente porque o Brasil ama muito o estado de São Paulo. Mesmo que não fosse por amor seria pelo menos por amor a arrecadação de impostos de SP que é a mais alta do Brasil. Então em certos casos vemos muito bem que não é desejável que haja "competição", ou seja, deseja-se ter o monopólio, controle exclusivo, controle de acesso a informação por exemplo, acesso a licença para empreender, e organizações paralelas, uma OAB paralela por exemplo, uma CBF paralela, elas significam competição, concorrência e podem levar o seu negócio a falência, e ninguém quer falir. Aplique o mesmo raciocínio para uma "igreja paralela", isso representaria concorrência para a igreja oficial e consequente diminuição na arrecadação de dinheiro e na esfera de influência! É por isso que em alguns casos a vontade de monopolizar a religião não vem de um sentimento de amor puro e verdadeiro, mas de um sentimento doentio de exercer controle e domínio sobre a vida de outras pessoas, na maioria das vezes exercendo o poder apenas para o seu próprio proveito ou benefício próprio e de seu grupo de líderes e cabeças da instituição. Isso acontece em toda parte e inclusive acontece na(s) igreja(s). Por isso hoje uma das primeiras tarefas de uma pessoa seria conseguir saber diferenciar o que é uma igreja e o que é uma empresa religiosa. Não é uma questão de possuir ou não CNPJ, possuir ou não nome de denominação, templo, mas lembre-se, como disse antes, exclusivismo é igual monopólio. Uma igreja que diz "só eu sou e fora de mim não há outra, não há salvação", isso é uma igreja que quer exercer monopólio, está apenas numa briga por poder, e não quer perder a sua posição e além do mais, mascara todas as suas atitudes e atividades como se fossem em nome de Deus e em defesa da fé. Esta atitude pode acontecer em grandes denominações religiosas, mas este mesmo espírito pode atuar também quando apenas dois ou três desigrejados estão reunidos "em nome de Cristo" e acham que fora deles não há salvação, cuidado!

As seitas que havia nos dias de Jesus

Nos dias de Jesus não era diferente do que é hoje em dia, e haviam muitas seitas e grupos naqueles dias. Apenas para citar algumas delas eram, os fariseus, os saduceus, os herodianos, os publicanos, os zelotes, os escribas e mestres da lei, os gnósticos, os filósofos greco-romanos, sacerdotes, samaritanos, essênios. Alguns destes poderíamos classificar como seitas, por exemplo, os herodianos criam que Heródes era o messias, os fariseus, eles tomavam para si a chave da ciência e da interpretação das escrituras, e Jesus os censurou por conta disso, pois eles tinham como se só eles tivessem a interpretação correta e como se todos os demais que com eles não concordavam era porque eram malditos que não conheciam a lei de Deus. Isso está nos evangelhos. Mas o grupo que quero citar em especial aqui é o grupo dos Essênios, os essênios são mais conhecidos hoje em dia por causa dos manuscritos de Qumram no mar-morto. Nos dias de Jesus eles eram um grupo que vivia mais isolado e separado dos demais. Se você ler os evangelhos verá que o sacerdócio daqueles dias estava completamente corrompido, e quando João Batista veio pregando houve muita resistência da parte dos sacerdotes, dos escribas e dos fariseus (bem como dos herodianos). Os três primeiros viam seu domínio (hegemonia religiosa) ameaçada pela mensagem de João Batista, e portanto fizeram com ele o que melhor sabiam fazer, o amaldiçoaram e por fim foi tramada a sua morte. Os herodianos não gostavam da sua mensagem pois ao dizer que o Messias estava prestes a chegar ele estava negando que o líder político Heródes fosse o messias como acreditavam seus seguidores. Os essênios por sua vez formaram uma espécie de comunidade no deserto, há quem inclusive pense que João Batista cresceu entre os essênios, mas um fato é que algumas pessoas hoje em dia comparam os desigrejados atuais com os essênios do passado, um grupo de pessoas que buscou sair fora daquele ambiente religioso hostil e dominado por interesses financeiros e políticos mais do que por amor a Deus e acabou armando a sua tenda no deserto, isolado daquele ambiente religioso oficial.

Em partes eu poderia concordar com essa afirmação a respeito dos Essênios. A quem pertencia o sacerdócio naqueles dias? A tribo de Levi. E o culto prescrito pela lei de Moisés dependia do templo e dos sacerdotes no templo. Mas e em dias em que os sacerdotes claramente estavam corrompidos? O que seria o melhor a se fazer? As pessoas tomaram diversas atitudes naquele tempo, houve uma maioria que permaneceu ali prestando culto, pois apesar do sacerdócio corrompido haviam israelitas tementes a Deus e isso é provado no evangelho. Além do mais o culto deles, diferente do culto cristão, dependia de um lugar específico de culto, o templo em Jerusalém. Não é que não houvesse regras para andar com Deus no dia a dia, mas o culto era centrado no templo. Mesmo Jesus quando nasceu, ele foi ao templo, seus pais apresentaram sacrifícios pelo seu nascimento conforme a lei mandava, e até certo ponto Jesus participou daqueles rituais prescritos na lei de Moisés. Aquele sacerdócio naqueles dias não queria perder o monopólio da fé que possuia. Eles se consideravam guias de cegos, mas Jesus os classificou como guia cegos. O Senhor até mesmo se admirou de que Nicodemos fosse mestre em Israel, e que ensinasse alguma coisa a alguém sendo que não podia nem compreender o que era nascer de novo. Você vê uma coisa, naqueles dias se alguém estivesse descontente com toda a corrupção que havia não tinha o que fazer, você não poderia fazer um templo 2, e começar a fazer seu próprio culto. Era evidente para todos que aquele era o templo certo, apontado pela lei, mas você não poderia criar um sistema religioso paralelo e usar o templo do seu próprio jeito. Precisava passar pelas ordens sacerdotais estabelecidas, e ai é onde entra a atitude dos essênios, eles simplesmente foram viver mais isolados no deserto, foram viver a sua própria vida e aguardaram a vinda do Messias.

Eu não tenho conhecimento suficiente para falar sobre erros ou acertos dos essênios, mas a atitude deles em certa parte me parece bem semelhante a atitude de alguns dos que saíram das igrejas atuais. Eles querem manter o fervor espiritual, não querem estar diante de uma liderança espiritual flagrantemente sem condições de ensinar nada a ninguém, e ao mesmo tempo não encontram espaço para fazerem isso em meio ao povo e para manter sua fé acabam se tornando uma espécie de movimento separatista. Eu não sei se os essênios viviam a pregar para os judeus saírem de Jerusalém ou não, para irem ao deserto com eles, mas um fato é que verdadeiros tementes a Deus houve entre os essênios. Talvez eles tenham desistido de tentar mudar as coisas ou tenham entendido que não tinham autoridade para corrigir o culto e esperavam que o Messias o fizesse quando chegasse, então apenas decidiram se retirar e aguardar. Houve gente temente a Deus tanto entre os que saíram quanto entre os que ficaram. Quando João Batista veio, ele não veio através da sua linhagem sacerdotal que seria natural, ele veio como um profeta, ele não era um fariseu, nem um saduceu, nem um sacerdote, não era um essênio, ele não estava nos padrões daqueles dias, eles não tiveram como encaixar ele nas definições que possuíam, quem é este? Ele não se parecia com ninguém das seitas ou grupos daquele tempo. Sua mensagem era simples e até mesmo rude. Alguns dizem que ele foi criado por essênios, não duvido, mas uma coisa aconteceu, ele foi gerado fora daquele ambiente religioso, esse era o chamado dele, mas do mesmo modo como ele foi usado pro Deus para abrir os olhos de muitos para a vinda do Messias, e veio de fora, vemos pelos evangelhos que muita gente de Deus ainda permanecia lá dentro daquele sistema corrompido, de alguma forma, talvez o caminho de uns seja por um lado e o de outros seja por outro lado.

Quando Jesus veio, ele também veio de modo inesperado, veio de fora e experimentou grandes controvérsias e resistência sempre que tentou pregar do lado de dentro. Boa parte do seu ministério foi realizado do lado de fora do templo, nas casas, nas vilas, no mar, nos lugares do dia a dia das pessoas. Parece que os fariseus e os demais, que pensavam que haviam "prendido" Deus dentro do templo, e que poderiam cobrar ingressos das pessoas que queriam vê-lo, agora não podiam compreender Jesus fazendo em carne o que sempre fez em sua onipresença, andando entre os mais simples entre o povo, e ajudando as pessoas. Jesus fez muitas coisas inéditas quando em carne, mas ele mostrou a todos que sempre foi ele quem fortaleceu os corações dos homens nos momentos mais fracos, e que ele não estava preso ao templo como os fariseus pensavam, ele era o templo verdadeiro que Moisés viu no céu. Do mesmo modo que João Batista arrebanhou seguidores, Jesus arrebanhou e ainda um outro tanto, e isso enfureceu de inveja os fariseus e demais, e começaram a conspirar para matar Jesus. De certo modo eles se sentiam feridos, o povo pendia para ouvir Jesus, eles estavam perdendo a exclusividade, o monopólio, o dominio exclusivo sobre a fé e vida das pessoas. Jesus disse que eles não amavam a Deus, eles amavam ser chamados de mestre, amavam ter os locais de honra nos banquetes, amavam ser adorados como deuses. Você precisa entender o tamanho do status que possuia um fariseu naqueles dias, ou um escriba, eram pessoas altamente reconhecidas, altamente prestigiadas, altamente celebradas, eram tidos por todos como instruidores e guias espirituais, mas isso só durou até que Jesus veio e começou a abrir os olhos dos cegos, a levantar os aleijados, e a devolver a audição aos surdos, e então todos passaram a perceber que as palavras de Jesus não eram como as dos fariseus, ele tinha autoridade no seu ensino.

Jesus nunca exitou em avisar que aqueles que o povo julgava serem seus líderes espirituais não eram assim tão espirituais. Na verdade os alertas de Jesus foram muito claros no sentido de que os fariseus não eram pessoas a serem seguidas apesar de toda a sua aparência de santidade e piedade, e aparência de alguém que tem fervor e devoção a Deus. Eles são guias cegos, se um cego guiar outro cego ambos vão cair numa cova. Vocês são sepulturas invisíveis, os homens andam por vocês e não sabem. O Senhor não pensou como pensam alguns hoje "se eu expor os pecados destes líderes que eles prezam tanto eles vão se escandalizar e vão deixar de crer em Deus". Eu quase posso dizer que posso escutar o desespero do coração de Deus em falar a verdade para os homens, era como Jesus gritando as suas consciências "eles não são o caminho, eu sou o caminho a verdade e a vida",  "vocês estão no caminho errado". E Jesus atraiu todas as pessoas a ele próprio "parem de seguir estes caras, venham após mim". Tudo que Jesus fez foi tirar os olhos do povo dos atuais mestres e sacerdotes e colocar os olhos do povo nele próprio. Essa é a parte em que muitas pessoas confundem, em João 4 aquela mulher perguntava para Jesus o que atualizando a questão poderia significa "qual é a igreja certa? em qual igreja devo congregar?" Ela queria saber como adorar a Deus, e achava que encontraria algum lugar físico de adoração. Pode existir um local físico de adoração espiritual? Deus é Espírito e importa que os que o adorem o adorem em espírito e verdade. Você pode fazer parte de qualquer denominação religiosa da face da terra, até que você descubra este local secreto de adoração, nada vai valer nada para você, e a sua alma vai permanecer com sede de Deus.

Igrejas não podem satisfazer a sua alma, denominações não podem, reuniões não podem, falsos profetas não podem, pregadores ungidos não podem, o único que pode é Jesus Cristo.

Os fariseus naqueles dias não entenderam que Deus poderia estar também com outro grupo e que aquele grupo não fosse eles. Eles não poderiam aceitar que Deus viesse de algum lugar que não fosse eles próprios. Para eles o avivamento final teria que vir deles e de mais ninguém. Eles se julgavam os guardiões da santidade do Senhor. Mas os discípulos de Cristo tiveram atitude semelhante nos evangelhos, e eu realmente penso que a maioria dos cristãos que conheço hoje não passou ainda da condição de discípulo em seus primeiros passos. Uma boa parte nem posso chamar de discípulos, eles não estão nem mesmo aprendendo com o Senhor, estão interessados em bençãos e prosperidade material, soluções terrenas somente. Mas entre os que são discípulos, boa parte se parece mais com os apóstolos nos evangelhos do que com os apóstolos, bem mais maduros nas suas cartas. Sim, há uma grande diferença entre os apóstolos no evangelho e as cartas que eles escreveram. Naqueles dias eles entenderam que Jesus era o Messias, o Filho do Deus Vivo, receberam revelação de Deus a esse respeito, e mesmo assim, quando apareceu uma pessoa fazendo as obras de Cristo mas que não andava com eles, eles foram e proibiram a pessoa de pregar e expulsar demônios. Jesus os repreendeu, leia esta passagem nos evangelhos. Novamente eles estavam tentando entrar num pensamento exclusivista, algo como "nós fomos escolhidos por Jesus e agora só através de nós ele irá operar", "Jesus rejeitou o antigo sacerdócio e nós fomos colocados no lugar, quem é este sujeito para fazer o que só nós podemos fazer?" Mas eles se esqueceram que ninguém pode ter alguma coisa se não lhe for dada do alto. Nas cartas dos apóstolos e no livro de Atos vemos muito bem que este problema foi resolvido, tanto que os apóstolos aceitaram o ministério de Paulo.

Paulo quando convertido e ungido pelo Espírito Santo não foi pedir conselho ou permissão aos apóstolos de Jerusalém, ele saiu pregando o evangelho pelo mundo conforme a direção de Deus. A igreja de Jerusalém não o enviou, apenas o reconheceu como apóstolo. Eles não criaram caso por ele não ser parte dos doze. Quero dizer, a igreja de Jerusalém não era um poder centralizador naqueles dias. Apesar de sua autoridade reconhecida por todos, eles não disseram para Paulo "oh, você não deveria ter começado a pregar sem antes nos consultar, sem antes se formar em nossos seminários, sem antes pegar aqui a nossa carteirinha de ministro ou nossa carta de recomendação e pagar as taxas da sua inscrição". Eles viram o testemunho de Paulo e dissem "vá com Deus, ele seja contigo". Pedro não reclamou "você agiu em rebeldia, está fora da minha cobertura espiritual". Pedro não pensou "ah, agora esse Paulo vai querer tomar a liderança para ele, quem ele pensa que é?" "Eu sou apóstolo a mais tempo, apontado pelo próprio Deus..." Não houve disputa de liderança entre Paulo e Pedro, houve uma sincera amizade, a tal ponto que Pedro em sua segunda carta recomenda as igrejas que leiam as cartas de Paulo. Hoje muitos pastores não querem que as ovelhas ouçam sermão de mais ninguém a não ser deles mesmos. Eles dizem que é para elas não se contaminarem, mas esta atitude demonstra uma atitude de um manipulador e dominador de rebanhos.

Os primeiros desigrejados

De acordo com a história após a morte dos apóstolos a igreja passou por algumas dificuldades para se manter unida. Se a autoridade dos apóstolos era reconhecida quase unanimemente (reconhecida e não imposta, há uma diferença), após a morte deles houveram uma série de disputas a respeito de pontos do ensino dos apóstolos. Naqueles dias as pessoas recorriam aos discípulos diretos dos apóstolos, alguns deles foram bispos nas igrejas daquele tempo, e assim tiravam as suas dúvidas. Mas pouco a pouco começou a crescer na igreja, entre os líderes, "em nome de Cristo e de manter a pureza da fé", cada vez mais divergências e tristes disputas por poder e liderança. Alguns bispos começaram a brigar para ver que é que "se assentaria na cadeira de Pedro", quem é que mandaria na igreja naqueles dias. Quer dizer, se eles tivessem uma questão onde não chegassem a um consenso, quem daria palavra final? Qual a igreja que todos deveriam se sujeitar e reconhecer como mãe? No passado notoriamente seria Jerusalém, mas com o passar dos dias o bispo de Roma começou a desejar para si o primado entre os bispos e outros bispos não ficaram para trás. Eu só quero que você entenda uma coisa, não foi exatamente uma disputa aberta por poder e domínio do rebanho. Começou como algo sutil e mascarado de boas intenções, afinal, pastores que eram tinham que zelar pelo rebanho de Deus. E neste zelo sem entendimento, a igreja parece cedo ter dormido e o inimigo de nossas almas semeou a discórdia e falta de entendimento entre alguns líderes. Mesmo assim a igreja andava unida de certo modo, e é claro que ainda era uma época de ouro repleta de testemunhos de fé e coragem cristã, mas as portas já estavam se abrindo para o erro que viria acontecer depois.

Quando nós falamos deste erro, da aliança política de Constantino com a igreja daqueles dias, já estamos aqui em 300 d.C. isso é motivo de bastante controvérsia. Um dos motivos é que o cenário ali era um tanto quanto complicado, e os eventos que iriam acontecer depois, como a queda do Império Romano Ocidental, fazem alguns advogarem que foi bom a igreja ter estado em aliança com Roma, pois quando da queda do Império, provavelmente se a igreja não tivesse assumido o poder, provendo muitas coisas para a população, talvez o destino daquele povo todo pudesse ter sido até mesmo pior do que o foi nas mãos da igreja naqueles dias. O clima do Império Romano era de constante disputa entre os líderes, e vemos se cumprindo o que Paulo escreveu "que os poderosos deste mundo se devoram, se aniquilam". Tudo que estou descrevendo até agora se resume a uma coisa, disputas de poder, tendo como pretexto o bem de todos, mas na verdade sendo o real interesse o bem de alguns poucos, algumas vezes começando bem, mas terminando de forma egoísta. Nenhum Imperador Romano vivia tranquilo, sempre tinha alguém, muitas vezes na sua própria casa, disposto a tramar um golpe, o assassinar, e tomar o Império para si. Manter o império unificado era um grande desafio de qualquer imperador romano, e além do poder militar para conter revoltas, havia muitas outras formas de manter a unidade do império, uma das principais formas era manter as pessoas unidas através da religião deles, o culto aos deuses.

Qualquer pessoa que se recusasse ao culto aos deuses romanos era tida como um traidor do Imperador, afinal, o próprio Imperador (e as vezes houve mais de um imperador ao mesmo tempo), era tido como um deus e conforme o costume deveria-se queimar incenso a ele. Os cristãos apareceram nesta cena, no primeiro século, e foram vistos como uma pedra de tropeço para os planos romanos de manter o império unido em torno da religião. Quando roma invadia uma cidade, e eles possuíam outra religião, normalmente lhes era permitido manter sua religião, e não eram necessariamente forçado a adorar os deuses romanos. Os judeus mesmo conforme vemos nos evangelhos continuaram no templo, cultuando, e isso era permitido desde que não houvesse revoltas ou conflitos, nada que perturbasse a unidade do império. O menor sinal de revolta poderia levar o responsável pelas cidades a morte, este era o medo de roma, que todo o reino entrasse em rebelião. Quando o cristianismo surgiu e começou a se espalhar pelo mundo e as pessoas começaram a ouvir sobre o evangelho, uma nova doutrina, um novo Deus, assassinado como um criminoso numa cruz romana, por certo Roma se sentiu ameaçada, não espiritualmente, mas politicamente eles julgaram (sem conhecer) que aquela doutrina dos cristãos poderia significar uma desunião no império, afinal, tocava em um dos pilares que mantiam a unidade do império, a religião deles. Então no meu ponto de vista os cristãos foram, e até hoje são, muito perseguidos muito mais por uma questão política, uma disputa de poder, do que por amor a algum deus ou causa.

Após 300 anos de perseguição sangrenta e o número de cristãos apenas aumentava. Nessa época Imperador Constantino enfrentava uma grande luta para manter-se no poder, haviam outros três Imperadores, e o medo era de que um matasse o outro e quisesse dominar sobre todos. Constantino foi mais esperto que os demais e ganhou dos três imperadores. Talvez a sua principal estratégia naqueles dias, que muitos atribuem como coisa boa, mas para mim foi apenas uma estratégia militar e política, foi justamente unir-se a igreja e parar de perseguir aos cristãos. O próprio Constantino teria se convertido, ainda que essa afirmação é muito questionável, e foi sob seu comando que a liberdade religiosa aos cristãos foi dada, e finalmente, pelo menos na lei era proibido perseguir aos cristãos e qualquer outra religião que fosse favorável a Roma. Nós lemos nas cartas dos apóstolos sempre a pregação de respeito aos reis e autoridades constituídas, os sermões não eram nem de longe ameaça para o Imperador Romano, mas eles o enxergaram assim naqueles dias e um banho de sangue aconteceu por 3 séculos, por medo dos cristãos tomarem o poder ou desestabilizarem o Império foram trucidados com muita raiva pela Roma Pagã. Mas agora as coisas começavam a mudar, os cristãos começavam a ser queridos do imperador e ter poder político e posição de influência na sociedade. Tudo tem o seu preço, e se isso foi bom por um lado, pois terminou a perseguição violenta, foi ruim por outro lado como vamos ver.

Naquela época houveram alguns grupos de cristãos que duvidaram muito da proposta de Constantino, bem como da sua conversão a Cristo, e julgavam que aquilo era apenas o diabo disfarçado de cristão querendo os enganar. Até este ponto, por mais disputas que pudessem haver entre alguns temas dentro da igreja, e entre alguns bispos por questões doutrinárias, poderia se dizer que só havia uma igreja, com todos seus problemas, mas ninguém realmente conseguiu o primado para si. A estratégia de Constantino porém resultou num maior apoio do Império Romano para a igreja, a construção de templos suntuosos para os cristãos, pagamento de salários aos bispos, cargos públicos, chefias, e os cristãos começaram a mandar cada vez mais e mais, e ter mais e mais influência (mas sempre houve este grupo que não aceitou tais coisas e permaneceu buscando a Cristo porém acabou se separando dos bispos que aceitaram se abraçados pelo "estado romano"). Constantino não contava com uma coisa, se a ideia dele era usar o cristianismo como uma religião para unificar o império, ele não imaginava o quanto os cristãos, já naqueles dias, estava divididos entre si a respeito de questões doutrinárias. Talvez ele tenha balançado um pouco, mas decidiu-se fazer um concílio de igrejas, para que todos chegassem a um acordo a respeito daquelas questões, pudessem então definir claramente o que é e o que não é cristianismo, e assim todo mundo ficasse unido no mesmo parecer. Soa bem não? E é justamente em nome de "boas ideias" que as maiores destruições entraram na humanidade.

Houve um Concílio em Nicéia, praticamente a mando do Imperador, onde ele juntou os cristãos e eles deveriam decidir ali o que seria aceitou ou não como cristianismo. A partir de então, progressivamente, e com a chancela do estado romano, a igreja que aceitou as deliberações do concílio de Nicéia e que aceitou o apoio do imperador começou a ganhar mais e mais poder político, até que os hereges, sim, os cristãos hereges começaram a ser perseguidos por força de lei pelos bispos e cristãos que tinham o apoio estatal. Estou falando estatal para usar termos atuais. Criou-se ali então uma igreja, que era reconhecida pelo estado como oficial, e nenhuma igreja poderia haver fora dela sendo os grupos não submissos a igreja apoiada pelo estado romano considerados inimigos do império e portanto, nada mudou, sofreriam perseguições, torturas e até mesmo a pena de morte. Neste ponto da história, pós Constantino, posso dizer que claramente nós tivemos duas igrejas definidas no plano visível, uma delas apoiada pelo império, e outra não, se tornou menor, menos poderosa financeiramente, sem poder político, e sem poder financeiro. Quero dizer com isso que cristãos continuaram sendo perseguidos pela roma cristã. Se antes perseguiam em nome dos deuses, agora, perseguem em nome da igreja, em nome de estar ajudando a igreja a combater heresias e se manter saudável espiritualmente. Toda a história eu não vou contar aqui, mas há muito que se aprofundar neste assunto. Os registros sobre os grupos cristãos fora da igreja oficial, que se tornou na igreja católica que conhecemos hoje, possuem poucos registros, ora porque foram destruídos, ora porque realmente eram grupos escassos, mas muitos deles tinham acesso as escrituras, algo que se tornou cada vez mais raro e até mesmo proibido, especialmente após a queda do Império Romano Oriental, por volta do ano 500 d.C, quando finalmente a igreja assumiria por aproximadamente 1000 anos o governo do Ocidente, especialmente a Europa, domínio que apenas começaria a ter um fim após os eventos da reforma protestante e muitos outros dos quais não falarei aqui.

O período de domínio da igreja católica, a chamada idade média, é chamada por alguns historiadores de período das trevas, mas pessoalmente eu não acho que isso faça justiça completa ao que realmente aconteceu ali naqueles dias. Quando o império romano caiu, naturalmente todas as instituições caíram e apenas uma restou de pé, a igreja católica, e portanto, ela começou a fazer as vezes de governo na vida das pessoas, as pessoas tinham que ir as igrejas buscar por socorro. Quando a igreja veio ao poder ela tentou usar o cristianismo como lei para todo mundo, processo este que já vinha acontecendo desde Constantino, mas na verdade não era exatamente o cristianismo de Cristo e dos apóstolos, já era ali uma mistura muito grande de erros doutrinários e enganos, juntamente com propósitos de coração desviados. Apesar disso houve bastante progresso científico nesta época, ainda que o estudo era basicamente restrito ao clero da igreja e aos nobres, chegando até o ponto de ser proibida a leitura da escritura por parte dos fiéis. Digamos assim que ser católico era uma obrigação naqueles dias, isso não era de todo ruim, muitos filósofos e pensadores que surgiram depois, juntamente com a época da reforma protestante, questionaram os dogmas da igreja (verdades que não se admitia ser questionadas), porém a atitude da maioria, quase todos para não dizer todos estes filósofos foi simplesmente ignorar tudo que a igreja fez por mil anos, toda a produção literária e científica, filosófica, e ter tudo como errado, ultrapassado, e antigo, e que só agora, com a chegada destes tais pensadores modernos era que a verdade estava sendo descoberta. Eles agiram no meu modo de ver com uma grande arrogância, despejaram seu ódio a Deus sobre uma igreja que era digna de censura e reprovação, mas acabaram por achar que eram donos da verdade tanto quanto a igreja o achou durante boa parte do seu domínio.

Este é também um assunto que requer maior aprofundamento, mas o ponto que estou levantando é que, mesmo durante o domínio desta igreja católica, universal, oficial, houveram pequenos grupos que nunca se aliaram e protestaram contra a fé católica, tendo a fé católica como uma deturpação dos mandamentos de Jesus Cristo. Primeiro de tudo, o cristianismo nunca foi um sistema de governança político para esta terra, é para o coração do homem, portanto achar que se pode pegar a bíblia e torná-la a constituição de algum país é uma grande loucura, simplesmente porque o evangelho não nos foi dado para este propósito. Estes grupos separados e perseguidos pela igreja oficial católica, eram os "sem igreja" daqueles dias, os desigrejados. Ai vem a minha crítica ao uso deste termo, pois ele pressupõe que há alguma igreja verdadeira, e que os que não fazem parte dela são sem igreja. Mas tal afirmação sempre vem de forma tangível, exemplo, a declaração da igreja católica de que fora da igreja não há salvação (extra ecclesiam nula salus). Uma afirmação exclusivista, e que submete a salvação de todos a obediência aos mandamentos da "mãe" igreja católica. Isso é submeter a salvação de uma pessoa a outra pessoa, e a nossa salvação só está submetida a Jesus Cristo. Mas a atitude católica que nasceu de um plano de unidade política trazido por Constantino depois encarnou-se num sistema político-religioso com a queda do imperio romano, com poder centralizado nas decisões do papa em roma (supostamente centralizado pois na prática o papa não tinha condições de mandar tanto assim, os domínios da igreja eram muito grandes, então na prática muitas e muitas vezes cada bispo fazia na verdade o que bem entendia e poderia de certo modo contrariar o papa sem ser percebido --- na época não tinha internet para vigiar todo mundo), e assim, todos que não se submetessem, estavam pela igreja católica (e até hoje este é o ensino vigente) condenados ao fogo do inferno.

A reforma protestante

Eu não preciso dizer que se a igreja católica se achava (e ainda em seus dogmas se considera) como a única representante oficial da fé cristã na face da terra, e que apesar de sempre existirem grupos pequenos que cultuavam fora da igreja católica, porém sem grande alcance e expressão perante a história, na época da reforma protestante então seria pecado além de crime qualquer pessoa contrariar os ensinamentos da igreja católica. Há aquela história toda de que as missas eram rezadas em latim, e o latim usado pelos padres era diferente do latim que o povo conhecia e falava, sendo que boa parte das pessoas não falava latim, e então não havia ensino das escrituras na igreja católica, em nome de defender a fé e manter a unidade e pureza da doutrina apenas aos bispos era permitido ter acesso, ler e interpretar a bíblia, eles deveriam ler e dar a interpretação para os outros, mas na prática havia muito pouco ou quase nenhum ensinamento a respeito das escrituras fora da igreja. Este tipo de tradição chegou inclusive ao Brasil, já cheguei a conversar com pessoas antigas que afirmavam que haviam padres que diziam que ninguém poderia tocar na bíblia ou morreria, que apenas os padres o poderiam fazer. É claro que este ensinamento mudou com o tempo, mas não faz muito tempo, se bobear ainda há igrejas no Brasil que rezam missas em Latim.

Quando o protestantismo sugiu em cena (ou os protestantismos pois há mais de uma linha protestante que surgiu junto da reforma), é desnecessário falar que os protestantes originais, no desenrolar do processo da reforma, foram acusados pelos católicos de heréges, foram perseguidos, e eram tidos como "os sem igreja", os protestantes que protestaram contra o catolicismo, a princípio tentando reformar a igreja católica, e após isso separando-se definitivamente dela, eram considerados pelos católicos como "desigrejados". Valendo-se da máxima católica de que "extra ecclesiam nula salus", os protestantes eram considerados sem igreja e portanto sem salvação, pois estavam se rebelando contra a autoridade do bispo de roma, que era o papa, considerado pelos católicos como uma autoridade levantada por Deus, então os protestantes, a reforma protestante, começou como um movimento de pessoas que conheciam e conheceram as escrituras e começaram a ver que muitas das práticas e ensinos da igreja católica estavam errados e se levantaram contra e para falar a verdade ao povo. O nome de Lutero foi o nome que ficou mais conhecido, e vou me poupar aqui nesta postagem de fazer críticas a reforma protestante, se necessário farei mais a frente, porém a reforma protestante não se restringiu a pessoa de Lutero, houveram muitos outros na época que digamos assim, saíram da "cobertura espiritual" da igreja católica, desafiaram a liderança da igreja católica, confrontaram a liderança da igreja católica com as escrituras, e por fim, pararam de congregar, foram expulsos, excomungados, até mesmo assassinados, e eram na época tidos como "desigrejados".

O mais curioso de todas as coisas é que hoje em dia, os argumentos que os protestantes/evangélicos, usam para com os atuais "desigrejados" é justamente muito semelhante aos argumentos que os católicos utilizavam com os protestantes no começo da reforma. Os bispos católicos não podiam admitir que estavam em erro em muitas coisas, uma das principais era de esconder as escrituras das pessoas comuns e não lhes dar acesso a educação formal, coisa que a igreja possuia dinheiro de sobra para fazer na época. Por mais que fosse difícil possuir cópias das escrituras nos tempos da idade média, já que as cópias eram manuais, caras e demoradas, pois não havia prensa ou impressoras, como se explica que os judeus conhecessem a Torá mesmo sem ter cópias abundantes a sua disposição? É claro que é porque os rabinos explicavam a Torá, mas os bispos católicos não explicavam a bíblia. Os protestantes confrontaram muitas coisas e esta foi uma delas, se há um fato extremamente positivo da reforma protestante foi o espalhar das escrituras, inclusive impulsionada pela invenção da imprensa, que facilitou a cópia de livros e da bíblia, houve um grande movimento de tradução das escrituras para diversas línguas e a bíblia que antes estava restrita nos cofres da igreja católica agora estava nas mãos de todos os homens, e eles podiam ler e ver com seus próprios olhos as palavras de Jesus. É claro que o protestantismo não foi um movimento perfeito, e nem mesmo em uníssono, houveram várias linhas, divergências, mas houve um tradutor da bíblia para o inglês, se bem me lembro foi Willian Tyndale, que preso por estar traduzindo a bíblia e espalhando a bíblia, foi interrogado pelos bispos católicos e disse para eles algo como "se vocês não me pararem em breve o mais simples camponês vai saber mais das escrituras que todos os seus bispos". E ele foi queimado vivo por estar distribuindo a bíblia traduzida em inglês.

Os católicos militantes hoje em dia ainda defendem a igreja católica dizendo que ela na verdade preservou as escrituras, alguns chegam a dizer que a bíblia é um livro de católicos para católicos, o que chega a ser absurdo além de antibíblico. Por tudo que já pesquisei sobre o assunto permaneço até hoje convencido que os bispos católicos não preservaram a escritura, eles esconderam a escritura do povo por meio de dois mecanismos, um deles era deixar o povo sem leitura, sem conhecimento, o outro era proibir o acesso do povo ao próprio livro, usando inclusive de ameaças em nome de Deus para quem ousasse tentar ler e interpretar. Eles tomaram para si a chave da ciência, como se só eles pudessem ler e interpretar a bíblia, como se só eles tivessem tal autoridade, e ameaçaram com a punição divina quem tentasse fazê-lo, ao mesmo tempo que puniam também em seus tribunais quem violasse esta ordem. No caso seria o mesmo que cegar uma pessoa dos dois olhos para ela não poder ver a verdade. Não há razões para um sacerdócios santo e cheio de Deus querer que o rebanho se afaste das escrituras. Todas as recomendações apostólicas são para que se ensine a palavra na igreja, inclusive na língua que as pessoas compreendam, mas nunca para que só os bispos ou pastores possam ler a escritura. Mas na época além de manter o povo analfabeto ainda lhes proíbiam de ter acesso a bíblia. Por que tanto medo de que o povo lesse as escrituras?

Então a reforma protestante, que foi incialmente um movimento de desigrejados, e que até hoje é considerado "sem igreja" pelos católicos militantes que pensam que só a igreja católica é igreja, teve um grande valor e contribuição na história do cristianismo pois abriu as portas do acesso a escritura para todos os povos. Sem isso até hoje estaríamos ouvindo missas em latim sem ter oportunidade de conhecer a bíblia e os protestantes que já foram chamados de desigrejados hoje chamam tantos outros também de desigrejados.

Os protestantes estão cuspindo no prato em que comeram?

A história do movimento protestante é um capítulo a parte, e minhas postagens aqui não tem como intenção esgotar o assunto. De fato você precisaria tomar tempo e estudar cada uma destas coisas que estou te passando mais a fundo se quisesse entender melhor de onde tomei as minhas conclusões. Estou apenas dando um resumo um pouco mais mastigado que para alguns será de grande valor. 

É importante sabermos que quando lemos as histórias das inquisições católicas, muitas vezes não conhecemos que também houveram inquisições protestantes. Em muitos casos o protestantismo se tornou um poder político, tão dominador e tirano quanto foi uma boa parte do catolicismo. Entre os protestantes houveram divergências as vezes graves e só para não me alongar demais, mas se andarmos um pouco mais na história vamos conhecer a história de alguns pregadores, protestantes, que hoje são homens reconhecidos pelos protestantes como homens de Deus, inspiram muitos pregadores, muitos pregadores hoje citam seus nomes em sermões, leem seus livros e biografias, mas que na época em que pregaram nas igrejas protestantes foram expulsos das igrejas protestantes dos seus dias. Só para citar dois nomes, poderia falar de Jonh Wesley e George Whitfield. As igrejas protestantes da época não os aceitaram, Wesley chegou a declarar que "o mundo é a minha paróquia", pois continuou sua missão como evangelista pregando o evangelho do lado de fora da igreja já que não era aceito do lado de dentro. O mesmo podemos dizer de Whitfield. Nada de dizer que eram homens perfeitos, mas nas suas épocas eram pregadores de "carreira solo" que não foram aceitos pelas igrejas protestantes dos seus dias, em resumo, estes homens e outros, que hoje são tidos como exemplos de fé e doutrina, são hoje tidos como exemplo de conduta, eram nada mais nada menos do que, sim, isso mesmo, desigrejados em seus dias.

Algumas vezes me parece que a história sempre se repete, a humanidade vem sempre caindo nos mesmos erros, mil vezes mil vezes caindo nas mesmas coisas. Vem uma geração e vai outra geração, mas os erros que se comete são os mesmos. Do mesmo modo como católicos acusaram protestantes de serem desigrejados, sem igreja, protestantes acusaram outros protestantes de serem sem igreja quando não se submetiam aos ritos e entendimentos de suas instituições, agindo assim exatamente como os católicos agiam. Hoje nós temos a igreja metodista, que "ostenta" o nome de Jonh Wesley, mas será que permitiriam que o próprio Wesley pregassem em seus púlpitos hoje? Mas os pastores e bispos daqueles dias não puderam compreender o que estava acontecendo, todas as vezes que Deus levanta homens, imperfeitos, para confrontar de algum modo o sistema que estamos tentando estabelecer, e a bagunçar um pouco as coisas para nos confundir em nosso próprio entendimento a igreja tem caído e tropeçado por não poder entender, um, que Deus não precisa da igreja, é a igreja que precisa de Deus, dois, que Deus não está preso as nossas reuniões e cultos, ele pode vir lá do lado de fora e pode estar fazendo muita coisa para além dos nossos limites que nós nem estamos vendo. Deus não está preso a nós, não está limitado a nós. Por isso que a começar pelos reformadores, e por outros pregadores do protestantismo, muitos deles que hoje são reverenciados como heróis, um dia foram pregadores sem igreja, chamados de rebeldes, loucos, hereges, nada ortodoxos, etc, etc, etc.

O movimento atual dos desigrejados

Esta deve ser a postagem mais longa que escrevi até agora, e eu realmente não me importo de tomar tanto tempo assim para escrever estas coisas. Sei que boa parte nem vai chegar até o fim da leitura, tudo bem que não sou um grande escritor, mas para algumas pessoas será importante ler tudo que escrevi aqui. O movimento atual dos desigrejados para mim se parece muito com o que aconteceu com a reforma protestante naqueles dias. Foi um movimento que começou a ter acesso as escrituras e descobriu ali verdades que haviam sumido dos púlpitos. Estas pessoas inconformadas, e muitas vezes movidas pelo Espírito Santo e outras vezes apenas pela impaciência e altivez carnal, acabaram abrindo a boca e denunciando muitas coisas erradas. Não houve uma igreja para pregar teses na porta, mas hoje temos a internet onde podemos soprar qualquer coisa para os quatro cantos da terra em segundos. Assim como a reforma protestante foi cheia de erros e defeitos, mas teve a sua parte boa. Poderia dizer que o catolicismo também foi cheio de erros e defeitos mas teve a sua parte boa. E os desigrejados atuais também são cheios de erros e defeitos mas tem com certeza a sua parte boa. Do mesmo modo que o catolicismo não é um movimento cem por cento unificado, pois mesmo que fosse possível, com o papa controlaria a atitude de todos os bispos? Então há divergências mesmo dentro do catolicismo. Assim também a reforma protestante não trouxe uma unanimidade de doutrina e ensinamento, trouxe uma importante crítica ao catolicismo, ao meu modo de ver até superficial e incompleta em certos pontos, mas ao mesmo tempo me parece que manteve certas raízes católicas que vieram a brotar mais tarde, ou seja, caiu e incorreu em muitos dos mesmos erros do catolicismo.

Com os desigrejados atuais, a maioria oriundos de igrejas protestantes, mais específicamente de igrejas pentecostais e neopentecostais, a grande maioria saiu destas igrejas, e com eles não é diferente. Não é um movimento unificado, nem todos pensam igual, e ao passar do tempo muitos grupos foram se distanciando em seu entendimento a respeito de muitos assuntos. Alguns grupos realmente apostataram de vez de Cristo. Outros perseveram na fé apesar de serem rotulados como 'sem igreja'. É exatamente por isso que eu não gosto deste termos "desigrejados", pois uma pessoa pode não fazer parte de uma igreja seja protestante ou católica, e ainda assim ser parte da igreja espiritual de Jesus Cristo. Do mesmo modo, o mero cartão de membro ou certificado de batismo, o participação na ceia, num culto ou em uma eucaristia, pode ser somente de corpo presente, mas de coração ausente do Senhor Jesus Cristo. Por isso muitos mesmo frequentando uma igreja estão longe do Senhor. Tem compromisso com o ritual do culto, festividades, atividades eclesiásticas, mas não tem compromisso com Jesus de fato não o conhecessem. Assim como Nicodemus era mestre em Israel mas não havia nascido de novo, muitos hoje em dia estão exatamente do mesmo modo. Como já disse em postagens anteriores, também não é o fato de sair de uma igreja que vai te salvar, quem salva é Cristo.

Com o passar do tempo muitos desigrejados conseguiram algum grupo de irmãos e cultuam, muitas vezes nos lares. O começo do cristianismo foi nos lares, a bíblia faz diversas referências as igrejas (reuniões) nos lares. Mas com o tempo parece que isso foi esquecido. Hoje as pessoas em geral desprezam bastante as igrejas nos lares, só valorizam se for uma 'célula' de uma 'igreja-templo'. É como se para se reunir em nome de Jesus nós precisássemos da autorização de uma autoridade espiritual reconhecida por Jesus, uma "igreja". As pessoas dependem demais da autoridade, suposta autoridade na vida dos outros, e muito pouco do Espírito Santo em suas próprias vidas, não aprenderam que com Jesus é "levanta e anda", anda com as suas próprias pernas e não sendo carregado com a muleta dos outros! As pessoas sempre vão querer algo ou alguém para se escorar, e se as vezes precisamos de apoio e escora, as vezes também o apoio pode nos deixar bastante acomodados! Você sempre quer se apoiar numa instituição, num pastor, em algo visível para ter comunhão com Deus! Isso é muito diferente dos que utilizam símbolos, pedras, cristais, amuletos, coisas visíveis para tentar se conectar com o divino?

Alguns dos irmãos que conheci ao começo da caminhada fora da igreja oficial hoje reuniram tantas pessoas que acabaram abrindo igrejas, literalmente igrejas-templos, são pastores, e graças a Deus aparentemente tem igrejas crescendo em graça e conhecimento do Senhor Jesus Cristo. Outros permanecem apenas o marido e a mulher na sua casa. As vezes, muitas vezes sozinhos, mas não sem o Senhor. O Senhor é a presença mais ignorada de todas, aquele que sempre está ao nosso lado, mas que muitas vezes preferimos outras companhias do que a dele. Eu falo por experiência própria, o ser-humano não gosta da solidão, mas muitas vezes se não forem tiradas todas as pessoas do seu lado você não vai dar a devida exclusiva atenção para a presença de Deus. Quando tudo te é tirado na terra você percebe que tem tudo te esperando no céu, por isso homens e mulheres de Deus passam muitas vezes pela experiência da solidão, estar a sós com Deus, estar a sós até que você possa reconhecer a Deus. Há experiências que são em grupo, e outras que só podem vir você estando a sós. São particulares, só para você e o seu Deus. Por isso para mim, dizer que os cristãos que saíram das denominações mas mantém a sua fé em Deus em Jesus são pessoas sem igreja, desigrejados, é colocar um rótulo, é um rótulo arrogante colocado por pessoas altivas que mal sabem o que é igreja e que pensam que só pode ser igreja se fizer parte da "igreja deles". Com efeito, nem estar dentro nem estar fora de uma igreja tem algum valor, mas sim o ser uma nova criatura. Entrar ou sair de uma igreja está no poder humano, e nada que está no poder humano pode salvar alguém. A circuncisão feita por mãos humanas não salvava, pense nisso.

Por isso eu não me considero um desigrejado, termo que virou infelizmente sinônimo de desviado, ainda que haja muitos desviados mesmo dentro da  igreja, talvez haja até mais desviados dentro da igreja do que fora dela hoje em dia. Não desprezo as pessoas que ali frequentam igrejas-templo, muitos ali são meus irmãos em Cristo, lavados e remidos, disso tenho certeza plena. Mas pelo que percebo, meu caminho tem sido e há de ser aqui por fora. Se o teu caminho é lá por dentro, siga o que Jesus te ensinar.

Ainda vou falar sobre a importância de congregar, tenham calma.

Deus abençoe todos que vão a uma igreja, e todos que não vão, busquem Cristo e irão encontrar!

Até a próxima!

segunda-feira, 24 de dezembro de 2018

Uma mensagem aos que sentem falta de entes queridos


"A mulher, quando está para dar à luz, sente tristeza, porque é chegada a sua hora; mas, depois de ter dado à luz a criança, já não se lembra da aflição, pelo prazer de haver nascido um homem no mundo. Assim também vós agora, na verdade, tendes tristeza; mas outra vez vos verei, e o vosso coração se alegrará, e a vossa alegria ninguém vo-la tirará." João 16:21,22

Um tempo atrás eu preguei este texto para uma amiga que havia perdido os avós recentemente. Ela estava um pouco desconsolada e triste, mas as palavras de Deus fortaleceram o seu coração. O momento da morte é um momento triste e de despedida, e Jesus teve que se despedir dos seus discípulos. Ele estava prestes a morrer, mas comparou a sua morte com um nascimento, como a hora de um parto. Jesus inverteu a lógica das coisas exatamente porque a sua morte significaria vida, e a prova disso seria a sua ressurreição.

A ressurreição de Jesus estava além da compreensão dos discípulos naquele momento, eles não poderiam entender isso naquela hora, e Jesus sabia que iriam ficar tristes por não poder vê-lo mais. No entanto o Senhor lhes deixou bem claro que aquela não seria uma despedida definitiva, era apenas um "até breve" pois por mais tristes que ficaram com a partida do Senhor, em três dias eles o veriam novamente. A palavra de Jesus foi que a alegria deste reencontro seria tão grande, a alegria de ver Jesus resssucitado, que esta alegria jamais poderia ser tirada deles, seria eterna!

Estes dias de fim de ano muitas pessoas estão tristes por sentirem falta de algum amado que gostariam de ter por perto. Pessoas nascem e morrem todos os dias, e nestes dias especialmente as lembranças são muita, a saudades são grandes, e a tristeza de não poder ver quem gostaríamos de ver é muitas vezes inevitável. Mas devemos ter esperança em Deus em meio a tudo isso, mesmo quando alguns de nossos entes queridos já se foram, sabemos que o Senhor prometeu que permaneceria para sempre conosco, até o fim, até a consumação dos séculos. E é por causa de Jesus que nós temos esta esperança, contra a esperança natural, pois os mortos hão de ressuscitar algum dia, e toda lágrima será enxugada.

Nem toda despedida aqui nesta terra é definitiva, nós vamos ver muitas pessoas novamente, mas eles estarão muito diferentes, e nós também. Muitas despedidas aqui são apenas um "até breve", exatamente como o "até breve" de Jesus aos discípulos. Os primeiros cristãos costumavam pensar: "O que é morrer senão entrar na verdadeira vida?" Algumas vezes podemos pensar, que nós que estamos vivos estamos mais mortos do que os que dormiram no Senhor. E é por isso que a palavra de Cristo segue loucura para os que perecem. Nós esperamos a ressurreição dos mortos e a vida eterna. E todas as coisas serão restauradas. Quando estas coisas acontecerem, a nossa alegria será para sempre!

"Porquanto a vontade daquele que me enviou é esta: Que todo aquele que vê o Filho, e crê nele, tenha a vida eterna; e eu o ressuscitarei no último dia." João 6:40

"...e eis que eu estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos. Amém." Mateus 28:20

"Se eu não te ver mais aqui nesta terra, te verei no dia da ressurreição dos mortos."

Até lá, perseverança... paz a todos!

O mais importante é que Ele nasceu - Mensagem de Natal 2018


O dia do Natal é um feriado nacional, é comemorado também em diversas partes do mundo e há uma série de controvérsias e opiniões a respeito deste dia. Para uns é um dia muito importante e deve ser celebrado, para outros é apenas uma data que celebra a hipocrisia humana no seu mais alto grau, algo que não tem razão de existir. Seja lá qual tenha sido a história do ínicio das comemorações do Natal, e isso é um assunto muito longo para ser tratado, para muitas pessoas, este é um dia para celebrarmos o nascimento de Jesus Cristo. Muitas ações sociais se intensificam nesta época do ano, as pessoas ficam mais sensíveis e emotivas, e ainda que cada vez menos Jesus seja lembrado no Natal, mesmo assim é impossível apagar o brilho de Cristo, especialmente nas vidas que podem hoje dizer que a cruz fez diferença, para mim, não foi em vão.

Por que foi tão importante assim que ele tenha nascido?

Se todos nós realmente compreendêssemos a importância do nascimento do Senhor não iríamos dedicar a ele apenas um dia memorial, mas a nossa vida inteira. Para os cristãos Jesus Cristo é a luz do mundo, aquele que ilumina os nossos corações, ele é o Sol da Justiça, ele é o Pão da Vida, que alimenta não somente o nosso corpo, mas mata e sacia a fome da nossa alma. Ele é a água que mata a sede, é o perdão dos nossos pecados, é a ressurreição e a vida eterna. Para os cristãos Jesus Cristo é tudo em todas as coisas, a razão de existirmos, a razão de termos sido criados tão maravilhosamente por Deus, a razão de estarmos aqui hoje.

Nem todos os cristãos concordam que seja bom celebrar o dia 25 de Dezembro como Natal. É claro que todos sabemos muito bem que esta não é a data do nascimento de Jesus, ninguém sabe com precisão o dia do seu nascimento, mas mesmo assim, não é porque não sabemos o dia do nascimento de Cristo que não podemos constatar uma coisa, que ele nasceu! E Jesus simplesmente dividiu a história da humanidade em duas partes! Nós temos uma história antes da vinda de Cristo, e outra história depois da vinda de Cristo. Mesmo os seus opositores não conseguem ficar neutros a respeito da sua vida, e é por isso que mesmo não sabendo quando Jesus nasceu, sabemos que ele nasceu, e isso é o importante! Quando falamos sobre o Natal não devemos se esquecer que o mais importante é que Jesus nasceu e habitou entre nós, deixe para trás o que para trás fica, celebremos Cristo hoje! Não vai importar que "deuses" foram celebrados algum dia, o que vai importar é se adoramos a Cristo hoje!

"...deuses passam, Jesus não vai jamais passar."

Para nós cristãos Jesus é salvação, redenção, motivo para viver e podemos celebrá-lo para sempre, tudo isso simplesmente porque um dia ele nasceu aqui. Eu sei que a cruz é central no evangelho, a morte de Cristo pelos nossos pecados. O que aconteceu na cruz é de valor incomparável, mas o anúncio do evangelho começa com o nascimento de Jesus. Quem habitaria tão alto que pudesse descer tão baixo para nos resgatar de nossas culpas e nossos medos? Quem desceria tanto e se faria tão humilde como um escravo sendo dono e Senhor de todo o universo? As palavras de Jesus nos evangelhos quando disse "tende bom ânimo, eu venci o mundo" são espírito e vida. Ele venceu a prisão que nos aprisionava, ele venceu nossas falhas, nossos pecados, derramou seu sangue e nos reconectou ao Pai. Ele precisava nascer "o verbo deveria se tornar carne" para fazer isso. A palavra de Deus precisava encarnar!

O anúncio do nascimento de Jesus revelou uma grande festa nos céus, os anjos cantavam em coro, multidões de anjos dando glória a Deus e louvando a bondade de Deus para com os homens. O nascimento de Jesus não foi ignorado pelos céus, até pode não ter sido em 25 de Dezembro, mas o nascimento de Jesus com certeza foi e é especial! Com certeza foi um "Feliz Natal"! Não devemos esquecer isso nunca! O Senhor que se revelou aos pequeninos, nasceu em uma simples manjedoura, enrolado com alguns paninhos, aquele pequeno bebê, este era o Senhor de todo o universo, o Salvador de todos os homens, o Rei dos reis, e o Senhor dos senhores, este é o Rei de toda a glória, o Criador de todo o universo, ele é Deus conosco, ele é Jesus de Nazaré, aquele que é, que era e que há de vir!

Vamos ler umas escrituras sobre o nascimento de Jesus:

"E aconteceu que um anjo do Senhor apareceu a eles e a glória do Senhor reluzindo os envolveu; e todos ficaram apavorados. Todavia o anjo lhes revelou: “Não temais; eis que vos trago boas notícias de grande alegria, e que são para todas as pessoas: Hoje, na cidade de Davi, vos nasceu o Salvador, que é o Messias, o Senhor!" Lucas 2:9-11

"E, no mesmo instante, apareceu com o anjo uma multidão dos exércitos celestiais, louvando a Deus, e dizendo: Glória a Deus nas alturas, Paz na terra, boa vontade para com os homens." Lucas 2:13,14

"E no último dia, o grande dia da festa, Jesus pôs-se em pé, e clamou, dizendo: Se alguém tem sede, venha a mim, e beba. Quem crê em mim, como diz a Escritura, rios de água viva correrão do seu ventre. E isto disse ele do Espírito que haviam de receber os que nele cressem..." João 7:37-39

Que todos tenham um feliz...

Você é feliz? Pense e responda para si mesmo, pois tenho certeza que as vezes pensamos que somos felizes mas não sabemos o que é a verdadeira felicidade.

Eu só escrevi este texto porque queria falar um pouco de Deus com vocês.

Fiquem com Ele!

quinta-feira, 20 de dezembro de 2018

Até que ponto um líder espiritual pode exercer controle na vida de uma pessoa?


Sétima postagem da série desigrejados, o assunto de hoje talvez é um dos mais importantes, é a respeito de idolatria no coração do homem. O que é um ídolo? Um ídolo é uma coisa que você vai e coloca no lugar de Deus na sua vida. Qualquer coisa pode então ser um ídolo para nós. Coisas que naturalmente são boas e nos fazem bem podem se tornar ídolos, e coisas que naturalmente são ídolos também podem ser ídolos no nosso coração. O nosso orgulho pessoal por exemplo, a vaidade da vida humana, altivez de espírito, ganância exagerada, tudo isso pode ser ídolos em nossa vida. A sabedoria do mundo pode se tornar um ídolo. Israel no passado teve problemas com a adoração a ídolos, a igreja tem problema com a adoração a ídolos, e os desigrejados igualmente também tem problemas com a adoração a ídolos.

Nós sabemos que a bíblia fala que virá um homem fazendo falsos sinais, está escrito em Apocalipse 13, o falso profeta, fará até mesmo fogo descer do céu a vista dos homens, e fará com que a besta seja adorada, e esta será uma adoração idólatra, baseada em falsos sinais. O mesmo livro de Apocalipse fala no capítulo 16 sobre os espíritos imundos em forma de rãs, que fazem sinais e vão ao encontro dos reis da terra. Cristo também nos evangelhos nos advertiu em seus sermões a respeito dos falsos sinais que os falsos profetas fariam para enganar se possível os próprios escolhidos do Senhor. A bíblia nos ensina que nem todo milagre vem da parte de Deus, e que precisamos estar muito mais atentos do que nunca. Milagres e sobrenatural mexem com as nossas emoções, nos levam ao sentimentalismo. Milagres atraem pessoas, atraem multidões. Todos os lugares onde há milagreiros, seja na igreja ou fora dela, sempre há multidões atraídas para ver algo sobrenatural, um sinal, alguma coisa acontecendo.

Falsos sinais podem levar uma pessoa a querer abandonar o Deus Verdadeiro, podem levar uma pessoa a idolatria. O intento dos falsos sinais na verdade é este, disputar de certo modo poder com Deus (mas Deus não disputa nada e não precisa provar nada para ninguém). As vezes não estamos muito cientes do quanto é fácil nós nos desviarmos da verdade, é mais fácil do que parece. Não é necessário alguém fazendo cair fogo do céu, ou advinhando coisas, para nos tirar os olhos de Cristo e nos fazer ficar atraído e persuadidos após aquela pessoa. No antigo Israel, no antigo testamento, o povo hebreu após ter saído do Egito e ter visto tão grandes sinais de Deus como as 10 pragas e a abertura do Mar Vermelho, ainda assim cometeu um pecado muito grande trocando ao Senhor por um bezerro de ouro. Exatamente isso, até hoje este é um pecado que os judeus lembram com tristeza, mas após terem visto tanto sobrenatural da parte de Deus bastou Moisés se ausentar alguns dias para que eles trocassem Deus por um bezerro dourado. Na verdade não é somente que eles trocaram Deus, mas eles mesmos pediram para que o bezerro fosse esculpido, eles mesmos financiaram a escultura do bezerro com seu próprio ouro. O bezerro "coitado" foi destruído por Moisés, mas o bezerro não tinha vindo ali e feito sinais e prodígios maiores ou iguais aos sinais que eles tinham visto Deus fazer através de Moisés, eles trocaram Deus por um deus falso sem este deus falso fazer nenhum sinal. Imagina se eles tivessem visto alguém fazendo sinais falsos?

O bezerro de ouro é um episódio que nos mostra o quanto os ídolos são deuses falsos esculpidos pelas mãos dos homens e pela imaginação humana, e isso vai muito além da materialização de uma estátua como vimos naqueles dias, mas nos mostra a queda da natureza humana que sempre necessita de coisas para ver, para tocar, para sentir, para idolatrar e colocar no lugar de Deus. Moisés foi um líder levantado por Deus, necessário naqueles dias. O Espírito Santo ainda não havia sido dado a todo o povo, Jesus explicou que apenas após a sua morte o Pai enviaria o Espírito desde os céus. Naqueles dias não eram todas as pessoas entre o povo pois que tinham acesso e comunhão diretamente com Deus, eles não tinha unção para isso. O Espírito Santo vinha portanto e ungia apenas alguns líderes dentre o povo, e apenas para tarefas específicas, Moisés foi um deles. Eles dependiam completamente que Moisés ouvisse Deus e depois falasse para eles o que Deus tinha falado. Hoje vivemos em uma realidade totalmente diferente, um líder ao estilo Moisés não cabe mais em nossos dias, pois ninguém mais é porta voz exclusivo e absoluto da palavra de Deus na época da igreja. Mas os israelitas naqueles dias não superaram a falta de Moisés por alguns dias enquanto esse subia o monte para ouvir a Deus, e já que não podiam mais ver Moisés, tocar Moisés, enxergar e escutar Moisés, decidiram fazer um outro deus que pudessem ver, tocar, que pudesse liderá-los, algo visível e palpável como o era Moisés. Fica evidente pelo menos para mim, e se você ler o episódio na escritura, que apesar da liderança de Moisés ser necessária naqueles dias, eles haviam até aquele momento aprendido mais a depender de Moisés do que do Deus de Moisés, e então na falta de Moisés se corromperam.

Na igreja atualmente e já de longo tempo temos o mesmo problema. Sempre veremos os mesmos problemas se repetindo pois são falhas da natureza humana, presentes em todas as épocas e as quais todos estamos sujeitos. Paulo repreendeu aos Coríntios pelo fato de eles estarem elegendo entre si qual era o seu pregador favorito. Uns diziam ser de Paulo, outros de Apólo e outros de Pedro, e alguns diziam ser de Cristo. Este é um sentimento que nos trás a idolatria do pregador, quando as pessoas se apegam mais ao pregador do que ao Deus do pregador. Pela carência do coração humano é muito comum as pessoas se apaixonarem demais pelos pregadores, mais fácil ainda se eles aparentarem ter algum tipo de "dom especial", ser milagreiros. Facilmente as pessoas atribuem aos seus líderes favoritos algum tipo de comunhão com Deus raríssima e especial que "mais ninguém tem" na face da terra. E isso é idolatria na sua mais terrível forma, pois na igreja do Senhor temos espaço para os dons espirituais, seja na ministração do ensino ou no pastorado por exemplo, mas se um falso profeta já é falso e ponto final, saiba que a idolatria a um verdadeiro servo de Deus, se não for por ele combatida veementemente, tem poder até mesmo para corromper um verdadeiro ministério. No caso da repreensão de Paulo aos Corintios ele cita a si mesmo, ele não era um falso pregador, não pregava um falso evangelho, mas quando os irmãos se gloriavam nele estavam fazendo dele um bezerro de ouro.

Deste modo uma denominação pode se tornar um bezerro de ouro, um pastor, um irmão de oração que você idolatre ou exalte ele acima dos demais, tudo aquilo que você se maravilha demais, quando você olha para algum irmão ou irmã e pensa "nossa, esse fulano tem muita unção, que tremendo homem de Deus", você já está idolatrando aquela pessoa. Quando você começa a olhar para um ministério e começa a pensar "nossa, esse ministério é diferente de todos os demais", e você vai indo até o ponto em que começará a concordar com tudo que aquele ministério faz e diz, e você perde o poder de questionamento, então você ficou maravilhado demais, e uma pessoa maravilhada demais certamente vai cair tanto na obediência cega quanto na defesa do indefensável. Você vai começar a defender o que deveria combater apenas para atenuar a imagem do seu ministério favorito. Temos a tendência de exagerar as virtudes daquilo que gostamos, de enxergar com tons mais suaves os pecados daquelas pessoas que mais gostamos, ao passo que também temos a tendência de exagerar os defeitos e enxergar com tons mais fortes os erros daqueles de quem não simpatizamos tanto assim. Isso se torna um problema pois se torna uma forma de controle mental que líderes falsos, manipuladores e inescrupulosos utilizam sem dó e nem piedade do rebanho de Cristo.

Um dos trunfos dos manipuladores é que você jamais vai saber que está sendo manipulado. Provavelmente você vai defender o manipulador pois ele te manipulou, manipulou a sua opinião sem nem mesmo você perceber que estava sendo manipulado para que você pudesse defender cegamente ele de todos os ataques que ele viesse a sofrer. Vou dar um exemplo, mas um falso pastor, manipulador, normalmente terá um rebanho tão cegamente apaixonado por si que mesmo que ele caia nos maiores escândalos ainda assim as pessoas vão ter dificuldade de ver apenas o óbvio, que ele era um pilantra, um verdadeiro lobo em pele de cordeiro. As pessoas vão pensar que ele está sendo vítima de perseguição, provavelmente se tornarão até agressivas contra os que critiquem seu líder preferido, vão dar blocks nas redes sociais, e qualquer pessoas que verem falando mal do seu líder preferido vai ser por aquele grupo, encantado, maravilhado, enfeitiçado, visto como um inimigo mortal a ser derrotado. Pessoas que criticam serão vistas como caídos, desviados, rebeldes, etc, etc, etc. Se você está sob o controle de um manipulador então muitas das suas opiniões na verdade são opiniões dele, que ele fez você achar que são suas. Você vai achar que chegou até ali por conta própria quando habilmente você acabou sendo manipulado.

Qual é o nível de controle que um líder religioso pode ter na vida de uma pessoa?

O nível de controle em alguns casos pode chegar a ser total e completo, totalmente irrestrito, algumas pessoas matariam em nome de uma ordem do seu líder religioso, cometeriam qualquer crime, mentiriam, fariam qualquer coisa devido ao controle mental que lhe foi exercido. Em geral o nível de controle que um líder religioso terá sobre a sua vida é o tanto de controle que você o permitir ter, e é importante compreender estas coisas para não se deixar levar, não se deixar manipular. Se você não for cuidadoso o suficiente perceberá apenas tarde demais que se deixou levar e seduzir. Há dois modos de líderes inescrupulosos controlarem o rebanho, basicamente dois modos, duas estratégias. Alguns líderes contam com poder demoníaco para tal, literalmente vendem a sua alma ao diabo, outros porém usam técnicas psicológicas de persuasão mental para manipular e seduzir suas vítimas.

Em geral tudo começa com uma espécie de encantamento, você olha para um pastor, para um pregador, e começa a achar que ele é uma tremenda pessoa de Deus, você sente uma certa simpatia pela pessoa. No próximo passo você vai começar a achar que esta pessoa tem um algo a mais com Deus que te faz falta, que você não tem. Se isso te acontecer a sua guarda já foi passada pelo inimigo, dali é uma questão de pouco tempo até você tomar o "xeque-mate".  Você vai começar a achar que aquele líder ou ministério tem um "algo" que te completa, mas o que nos completa é Cristo. Na igreja de um modo geral, algumas coisas que encantam as pessoas são milagres (ou supostos milagres), revelações (supostas revelações), e aqui quanto mais fantástico melhor, idas ao céu ou inferno, receber visitas de anjos. Outra coisa que impressiona bastante as pessoas na igreja é vestimenta, as roupas que alguns pastores usam muitas vezes a forma como falam e se comportam dá um certo ar de superioridade e espiritualidade. Não que eu seja contra, mas sabe aquela história de batismo e todo mundo de túnica branca, o coral todo de túnica branca, não tenho nada contra isso, mas até mesmo o pastor lá todo de terno como um executivo, um sapato que nem o do Coringa, um relógio meio caro, um anelzão no dedo, deixar uma barba crescer de repente, enfim, qualquer coisa que possa te fazer um pouco diferente e passar um certo ar de "espiritual", isso engana demais as pessoas.

Tem muitas coisas mais que impressionam, se você é pastor o tamanho da sua igreja pode impressionar, as pessoas vão pensar "se ele não fosse de Deus como teria uma igreja deste tamanho", e as pessoas não pensam nas palavras de Jesus que diziam que o engano nos últimos dias seria grande. A forma de você falar, nós temos muitos pregadores que são atores, performancers diante da igreja, sabem fazer as pessoas chorarem, sabe fazê-las rir, sabem entreter o povo, sabem animar um auditório, são show-mans, homens show, sabem fazer cara de quem está sentindo muito forte a presença de Deus, sabem dar pulos, gritos, rodopiar, falar línguas estranhas (muitas delas bem estranhas), simular visões, etc. Isso pega muito as pessoas pois a aparência que é passada é de muita autoridade, muito poder, a pessoa ali "profetizando" com aquela cara séria, e dizendo que é de Deus, etc, é algo que impressiona bastante e é usado por falsos para enganar e para seduzir. Outro modo que as pessoas se enganam é quando o pregador sabe citar muito versículo da bíblia, elas se seduzem com a "sabedoria" do pregador "nossa, esse fulano, é um homem muito sábio na palavra", dali para frente o pensamento algum dia vai virar "se fulano falou, então está falado". Não somente isso, mas quando você coloca alguma destes homens acima de você em termos de comunhão com Deus, como se eles tivessem maior comunhão com Deus do que você a tua tendência é pensar "quem sou eu para corrigí-los, eles são mais espirituais do que eu". Você se coloca na posição passiva, o pastor ensina e você aprende, sem examinar, questionar, considerar, sem ponderar nada.

A partir deste ponto você vai começar a pensar que você é a pessoa mais errada do mundo, e pouco a pouco vai perder a confiança na sua própria comunhão com Deus e passar a confiar na comunhão com Deus daquela pessoa que você está idolatrando. Como assim? Bom, outra coisa que impressiona demais as pessoas é um título eclesiástico. Aquele ali é o irmão José, e o cara vem de bermuda e camiseta, e as pessoas dizem "está certo, passa amanhã irmão José". Mas no outro dia vem o mesmo irmão, agora de terno, bem alinhado, "aquele ali é o pastor José", as pessoas até estendem tapete vermelho para ele entrar na igreja, carregam no colo, se houver lanche depois do culto pagam a janta do cara, tudo isso só por um título, e as vezes por uma roupa. Bispo José, hoje temos muitos outros títulos Arcebispos, Bispo Primaz, Pastor Presidente, na igreja católica temos os Cardeais. Veja a indumentária da igreja católica por exemplo, com todo o respeito aos católicos nessa discordância, mas é muita pompa. A indumentária da igreja ortodoxa é igual, na internet você acha vários batismos de crianças lá, bebes de um dois anos, e os caras (alguns deles) pegam as crianças e metem na água com tanta força, pior do que quem está esfregando uma roupa no tanque de lavar roupa, e tem pai que assiste aquilo ali assustado mas não arranca seu filho da mão do padre, mesmo vendo o padre maltratando seu filho. Por que? Estão cativos naquela ideia de que são santos homens de Deus, dá vergonha repreender um padre na frente de todo mundo na missa, ou um pastor no culto, e aquela roupa toda, tudo se torna um fator de intimidação psicológica se você se deixar levar.

Vou citar um exemplo que conheci na igreja evangélica nos primórdios da minha conversão. Frequentei uma igreja, e a gente foi num culto na sede da igreja, e lá eles começaram a me contar algumas coisas, que haviam recebido uma equipe estrangeira, e na época eles tinham a moda de ungir objetos, hoje ainda deve ter, mas você comprava um carro e o pastor ungia a chave com óleo, comprava uma casa e o pastor ungia a chave com óleo. Mas eles começaram a me falar que estavam ali uma vez com um pastor que estava ungindo as calcinhas das irmãs para evitar tentação, e que deu a maior briga por causa disso dai. Um cara desse é um pilantra, você não precisa de revelação de Deus para entender este tipo de maldade, este tipo de lobo disfarçado de líder espiritual. Mas ocorrem muitos abusos, até mesmo sexuais em ambientes de igreja, um dos motivos é justamente pela confiança exacerbada que as pessoas depositam em líderes espirituais, abusadores se travestem de líderes e assim conseguem um rebanho nas suas mãos. Na ocasião eu perguntei se nenhum marido tinha quebrado a cara do tal "pastor" que ungia as calcinhas, os irmãos acharam que eu estava meio bravo por ser novo convertido, e as pessoas sempre tem medo de se intrometer com "autoridades espirituais", mas ainda hoje em dia eu mantenho firme a mesma posição, se um pastor falasse de ungir a calcinha duma mulher da minha família ou igreja eu ia dar um jeito de botar esse cara na cadeia. Esse é o tipo de coisa que a gente tem que rejeitar na mesma hora, mas em igrejas dominadas por sentimentos de maravilhamento excessivo com a "santidade" dos líderes, muitas pessoas até desanimam de denunciar qualquer coisa errada, não só abusos sexuais que já são casos extremos, mas desanimam pois aquele rebanho estará tão cativo que você será visto como um malfeitor por falar a verdade, dificilmente vão acreditar em você.

Nós tívemos casos como estes, denúncias nas igrejas dos Mórmons, tudo bem que os mórmons tem um livro paralelo a bíblia, mas muitos anciãos ficavam questionando pessoas mais novas sobre suas práticas sexuais, sobre os "pecados" que haviam cometido, você vai encontrar algumas denúncias destas na internet. Eu jamais deixaria um filho meu aconselhando sozinho com um pastor, ou filha, ou esposa, mas pais e mães muitas vezes confiam tanto nos líderes espirituais que abrem a porta do seu lar completamente e literalmente entregam seus filhos nas mãos de lobos achando que estão colocando nas mãos de santos. O remédio para isso é você assumir a sua responsabilidade e não terceirizar a sua comunhão com Deus. Paulo falou para Timóteo não desprezar o dom de Deus que havia nele. Quando você acha que alguém tem um contato com Deus especial que você não tem você está desprezando a sua própria comunhão com Deus e confiando na comunhão da outra pessoa. Muitas vezes a comunhão do outro é apenas aparência, é falsa, mas você fica enganado por todo este maravilhamento repentino que veio sobre a sua vida. Não há como uma pessoa ter uma comunhão maior com Deus do que outra. Repito, não dá. Alguns vão me dizer que no antigo testamento Deus chamou Abraão de amigo, e falou que a relação dele com Moisés era diferente pois com Moisés ele falava face a face. Verdade, está escrito isso mesmo, mas estamos numa nova aliança, a igreja parece que não somente se esqueceu disso, é que ela nunca soube disso.

A comunhão que temos é com o Pai e com o Filho. Ninguém chega ao Pai senão através do Filho que é Jesus. Então nesta nova aliança, entenda de uma vez por todas, ou você tem uma comunhão com Deus que é verdadeira, ou a sua comunhão é falsa. Não há mediadores para chegarmos a Deus, e o mesmo acesso que eu tenho é o acesso que você tem, e o nosso acesso a Deus, o Pai, é Jesus, o Filho. Não tem outro modo, não é por meio da nossa santidade pessoal que nos chegamos a Deus, por meio da muita consagração pessoal, que chegamos a Deus, chegamos a Deus por meio de Jesus, ponto final. Então não tem como um pastor ter mais comunhão com Deus do que eu que não sou pastor. Todos temos a mesma comunhão, participamos do mesmo corpo, de uma só fé, um só Senhor, um só batismo, então pare de idolatrar e colocar num pedestal a "comunhão" dos teus líderes e jogar no lixo e depreciar a sua comunhão com Deus. Se a nossa comunhão com Deus é Cristo, então achar que te falta comunhão é desprezar Jesus que está em você. Na verdade boa parte dos cristãos que eu conheço sempre tem a sensação de vazio ou de incompletude na sua busca com Deus, vivem eternamente se sentindo em falta, insatisfeitos, incompletos. Vivem se comparando a outros que julgam ser mais espirituais que eles próprios, que julgam serem mais próximos de Deus que eles próprios, e mal percebem que estão jogando fora a sua própria comunhão com Deus ao observar apenas a comunhão dos outros. Em alguns casos isso pode ser inveja, mas de todo modo você fica olhando para a joia que Deus deu para o teu irmão e começa a desprezar a mesma joia que ele te deu.


As operações espirituais podem até ser diferentes, a uns Deus deu dons de cura, outros línguas, outros ensino, mas o Espírito Santo que todos tem é o mesmo. Então não é porque você não tem dom de curar que você não tem comunhão com Deus, ou porque não tem dom de ensino da palavra, que isso quer dizer que não tenha o Espírito Santo. Muitos caem nesta espiral eterna depreciativa de si mesmos, há irmãos que até choram dizendo "eu não tenho dom nenhum". Ele nos deu o dom da vida eterna. Mas o que acontece muitas vezes é que alguns querem ter o dom que o outro tem para "aparecer" com o outro está "aparecendo". Todos querem ter dom de pregar, por exemplo, porque a moda seria pregar. E ai você começa a achar que se você não prega igual a bispo José você não é de Deus. Muitos pensam "ainda falta muito para eu ficar que nem o bispo José", e começam a imitar os jeitos de pregar das outras pessoas, e vão se sentir eternamente incompletos e insatisfeitos, pois desviaram de buscar Jesus e agora estão apenas buscando ser igual ao "pastor da sua igreja". As pessoas imitam demais. Muito mesmo. E dai se você não prega igual fulano, não canta igual ciclano? E dai? Deus não fez duas pessoas iguais, coloca isso na sua cabeça, não tem duas pessoas iguais, por isso o valor de cada pessoa no mundo é único! Você nunca foi chamado para pregar igual o fulano. Pregar igual Elias, pregar igual João Batista, pregar como Jeremias. Se o teu nome é João, seja apenas o João, basta, foi para isso que Deus te chamou.

Maravilhados com líder, maravilhados com ministério, maravilhados com pregador

Já teve gente de chegar na minha frente e me pedir conselho, e a pessoa estar tão oprimida e desesperada, e a pessoa não saber o que fazer e a pessoa me dizer assim "eu confio que você é um homem de Deus, você é sério, o que você me mandar fazer eu vou fazer". Meu Deus! Isso me assusta quando acontece! Não estamos mais no antigo testamento onde você precisa de um profeta que escute a Deus porque você não pode escutar, estamos no novo testamento onde o véu foi rasgado e todos temos acesso ao Pai em Cristo! Mas as pessoas tratam líderes como se fossem profetas do antigo testamento. Só eles ouvem a Deus eu não. A igreja do Senhor não é um bando de surdos espirituais. Como você pode vir até mim e me dizer "qualquer coisa que você me mandar eu vou fazer". Eu entendo o desespero das pessoas muitas vezes. Muitos estão com medo de estar pecando contra Deus, não estão em paz, mas o evangelho trás a mensagem da reconciliação, da paz entre Deus e os homens. Isso só acontece em Jesus. O mais curioso em tudo isso é que as pessoas muitas vezes tem mais certeza de que eu sou um homem de Deus do que eu mesmo. Já fiz cada coisa na minha vida que com certeza já pensei, "não posso ser um homem de Deus", somos homens não deuses.

Pense bem, e se o conselho for errado? Você vai entrar de cabeça, vai quebrar a cara, depois vai colocar a culpa em mim ou no pastor que te aconselhou. As dúvidas das pessoas são as mais diversas possíveis. Pessoas em segundos ou terceiros casamentos, aflitas, querendo saber se para ser salvas tem que largar o atual marido/esposa e voltar para o seu primeiro casamento. Pessoas querendo saber o que podem ou não fazer na intimidade de um casal, ou seja, as pessoas pedem para os pastores se intrometerem nos detalhes mais íntimos das suas vidas, será isso necessário mesmo? Gente querendo saber o que faz com seus dízimos, essa era uma das maiores dúvidas, pois a igreja fala todo culto em dízimos, cria esta preocupação no coração das pessoas, é natural que elas estejam meio neurotizadas com o assunto. Se eu tivesse dado uma conta bancária para cada pessoa que já me perguntou o que fazer com os dízimos e dissesse para depositar para me ajudar "na obra". Eu faria um templo de salomão II do lado do Macedo. Então as vezes as pessoas pedem conselhos sobre questões bastante pessoais, específicas, e eu sei que a maioria dos conselhos que receberão numa igreja vai apenas criar um problema para tentar resolver um outro problema. As vezes criar um problemão para tentar resolver um probleminha. O grande problema que eu vi em muitos que me escrevem é justamente isso, boa parte destas pessoas estão abertas, desarmadas, dispostas a obedecer qualquer coisa, são presas fáceis de enganadores. Serão tão enganadas que ainda vão agradecer aos que as enganam e os recomendar como homens sérios de Deus. O que mais me incomodou sempre foi uma questão, eu posso dar um conselho para a pessoa, mas ela vai seguir este conselho com consciência de fato, ou vai apenas seguir cegamente por que "fui eu quem falei", "o pastor quem falou", "aquele irmão que parece que conhece bem da bíblia que falou". Vão fazer isso por Deus, ou pelos homens?

Muitos pastores e igrejas reforçam infelizmente esta ideia na cabeça das pessoas usando versículos bíblicos fora do contexto. Versículos que não cabem naquela situação. Um exemplo é o reforço exagerado que se dá ao texto que hebreus que diz "obedeçam os seus pastores" (não está escrito obedeçam cegamente os seus pastores, apenas obedeçam), normalmente um versículo destes vem numa pregação acompanhado de uma passagem como a em que a terra se abre e engole os que se rebelaram contra Moisés, ou vem acompanhado de Miriã ficando leprosa, outras igrejas usam táticas de mostrar vídeos de ex-obreiros, os caras sempre se dando mal por saírem da igreja, se rebelarem contra o líder, enfim, são ameaças infundadas. Outro expediente utilizado para dar medo é justamente o pecar contra o Espírito Santo. E o que dizer então das ameaças para que as pessoas deem dízimos, sempre tem um testemunho de terror de alguem que não deu e o "diabo" quebrou a perna da pessoa, o saci comeu a janta dela, e que se ela não quis dar 10% na igreja acabou ficando doente e gastando 30% em remédios. São coisas tão absurdas, mas que boa parte das pessoas engole como verdade. São dois expedientes muito utilizados, após a pessoa estar encantada com um ministro, um minstério, um pregador, dois outros expediente serão usados para te controlar (manipular) um deles é o medo, e o outro é as promessas vazias em troca de obediência.

Medo & Esperança

Ídolo é qualquer coisa que colocamos no lugar de Deus. O anticristo na bíblia vai ir no templo de Deus e querer sentar no lugar de Deus como se fosse Deus. Mas o medo vem destas ameças que citei acima e muitas outras, você sempre fica com medo de questionar uma visão ou sonho, porque, vai que era de Deus não é? Medo de pecar contra Deus, medo de desobedecer a Deus, medo de fazer uma escolha errada, medo de desagradar ao Senhor, medo de ir ao inferno, medo, medo, medo, que gera mais culpa, culpa e culpa, e infelizmente essa é a triste realidade de muita gente hoje em dia na igreja do Senhor. Medo de perder o arrebatamento. Quando as pessoas vão ver a busca delas a Deus é uma busca guiada por medo, por culpa, e esta não é a proposta do evangelho de Cristo, que você se diga cristão e ainda assim viva a tua vida toda apenas esperando o fogo do inferno vir e te devorar. Na verdade tenho para mim que apartando-se da suficiência de Cristo é onde abrimos a porta para falsos profetas entrarem na igreja, porque sempre vivemos sentindo como se faltasse um algo mais na nossa vida, quando na verdade deveríamos viver desfrutando do TUDO que já aconteceu em nós, que é Cristo. A busca a Deus por causa do medo trás tormento. Esse não é o caminho do amor que Jesus nos deixou.

A esperança consiste em dar expectativa as pessoas de promessas, supostas promessas de Deus, e sonhos a serem realizados, é claro, em troca também de obediência. Se alguns momentos as pessoas obedecem por medo, por culpa, em outros obedecem por esperança. Exemplo, vou me casar, nunca fui dizimista, mas agora vou ter mais responsabilidades e preciso mais grana, então vou dar meus dízimos e fazer "tudo certinho" apenas para "Deus me abençoar". "Não pode falar mal do pastor, você vai perder sua benção". Quer dizer, é quase como a história do papai Noel evangélico, com um Deus que vai ficar recompensando bons meninos e meninas. Foi um bom dizimista? Então toma um presente. No final das coisas se o egoísmo em não querer se dar mal alimenta as pregações do medo, o egoísmo em só querer se dar bem também alimenta as pregações de promessas e esperanças vazias. Pessoas que muitas vezes se sujeitam a tudo porque querem um cargo na igreja, bajulam céus e terra para conseguirem o que querem. Outra hora são pastores e líderes bajulando as pessoas, dando cargos e elogios para os que fazem o que eles querem, mas fazendo guerra contra quem não lhes presta obediência cega. Os que obedecem são sempre bonzinhos, os que mesmo justamente desobedecem são horríveis, rebeldes. Manipuladores também podem se fazer de vítimas "ah, se você não der vai fechar a igreja, imagina se elas não escutarem o evangelho, vão tudo morrer ir para o inferno".

Traga este ministério para a nossa cidade

Este acho que é o que vou falar para encerrar hoje, mas como já expliquei, falta palavra em muitas igrejas, e as pessoas são acostumadas que só tem como se alimentar de Jesus numa igreja. Eu já vi um pastor na televisão dizendo que todo o alimento que ele precisava ele recebia do púlpito da denominação dele, por isso ele não ia para outras igrejas. Ele estava tentando argumentar para os fieis daquele ministério não irem procurar culto em outras igrejas, que as pregações que eles faziam ali já eram mais que suficientes, e que fora daquela igreja eles poderiam se contaminar. Puro engano. Jesus não está preso a um ministério, a uma igreja, a uma denominação, e ele também não está restrito ao espaço fora da igreja, fora das denominações, ele está aonde quer e em todo lugar, onde houver um coração contrito ele ali está, onde houver um abatido. Acha que uma pessoa entra numa igreja mórmom, e ali começa a buscar a Deus, acha que Deus ignora aquela pessoa e diz "não, não toco nesta pessoa agora, sabe, é uma igreja mórmom, eles tem um livro paralelo a bíblia, estão pregando muitas coisas erradas, não vou tocar nesta pessoa agora, deixa ela entrar numa igreja com a verdade bíblica, ali sim eu toco nela". Isso é uma loucura, alguém ilimitado como Deus jamais agiria assim, simplesmente porque Deus não está preso, não aderiu e não subscreveu as convenções humanas, as nossas formas humanas, nomes humanos, espaços humanos, Deus não está preso e não é afetado pelo nosso tempo e espaço. Amigo, não dá para colocar Deus dentro de uma caixa, dentro de uma igreja, dentro de uma denominação, e dizer assim, "a glória de Deus está aqui", ou dizer assim "a mão de Deus está aqui", a mão de Deus está em todo lugar, a glória de Deus enche toda a terra. Não dá para dizer assim "Deus, fica quietinho ai, estas igrejas estão todas em apostasia, agora o Senhor só pode visitar as pessoas que saíram", e é o que muitos desigrejados tem feito, dizendo que Deus só visita as pessoas do lado de fora da igreja agora, quem está lá dentro já era, perdeu Deus. Os de dentro por vezes vivem falando que Deus só está lá dentro, alguns, exclusivistas, que Deus só está no ministério deles, a glória de Deus para estes só está no ministério deles, em mais nenhum.

Que sorte deles não, Deus só está na igreja deles, só fala com o pastor deles? Vejamos até onde vai a nossa exaltação humana!

Deus não cabe nem dentro e nem fora da igreja, ele é maior que tudo isso, e ele não está nem ai para as nossas discussões e debates, ele vai lá e toca as pessoas e muda o coração delas. A gente fica confuso porque não entende isso, que Deus não está preso ou bloqueado pelas nossas "igrejices".

Traga este ministério para a nossa cidade

Muitas pessoas quando simpatizam com um ministério tomam uma outra atitude que eu penso ser errada. E sei que alguns não vão  entender o que estou falando. Não estou falando que congregar é ruim, nem que não existam pastores, mas estamos vivendo tempos de exceção, onde muitas vezes não é possível nem um e nem outro. Boa parte dos desigrejados gostaria muito de poder congregar numa igreja, mas ai pode haver uma pequena armadilha muito grande escondida neste mistério. Seguinte, é legal e muito bom ter irmãos para se reunir e falar da palavra de Deus, compartilhar o pão, exercitar aquele monte de mandamentos das escrituras que dizem "uns aos outros", amar, consolar, repreender, suportar, edificar, animar, etc. Mas nunca coloque um pregador no lugar de Deus. Nunca coloque um ministério no lugar de Deus. Você pode fazer isso de forma muito sútil, sem nem perceber, o bom muitas vezes se torna em pecado por nossa causa.

As pessoas entram na internet, se maravilham com um pregador, e começam a dizer "nossa, precisava dum pregador desse na minha cidade". Se encantam com uma igreja e dizem "ah, precisava ter uma igreja dessa na minha cidade". Fiz parte de uma denominação aqui no Brasil em que todo culto pessoas chegavam no pastor e diziam "precisa de uma igreja dessa na minha cidade, estamos precisando lá". O pastor interpretava isso como fome e sede por Deus, e que a igreja dele precisava ir lá fazer um trabalho missionário. Este camarada começou a abrir igreja em cada canto do Brasil, em cada cidade que pedia, o negócio não deu certo, ele quis crescer mais rápido do que o crescimento que Deus estava dando, além de não aproveitar a oportunidade para apontar as pessoas para Jesus Cristo - acabou por apontar as pessoas para a sua denominação.

Entenda uma coisa, de uma vez por todas, ninguém precisa do seu pastor, da sua igreja, da sua denominação e nem mesmo dos seus cultos adenominacionais, desigrejados, as pessoas precisam e sempre vão precisar de Cristo, de Jesus Cristo, aponte Cristo para as pessoas.

Você não precisa que pastor fulano de tal visite a sua cidade e "traga o avivamento" para a sua cidade, isso tudo é balela, é engano, é idolatria. As pessoas colocam ministérios e pastores, pregadores, profetas, num pedestal muito elevado. Algo do tipo "estava tudo perdido, mas agora que chegou o ministério tal, tudo mudou, chegaram os salvadores da pátria". Glória a Deus ou ao ministério? E dizem assim "oh, esse ministério é santo, é diferente, é cem por cento guiado pelo Espírito Santo, não é igual aos demais". Tudo mentira, isso dai é oração de fariseu "graças te dou Pai que não somos uma igreja como as demais, apóstatas, afundadas em pecado, etc, etc, etc". Lucas 18. Você não precisa que o ministério "tal" abra uma igreja na sua cidade. Você não precisa que o pregador tal vá pregar o evangelho para você. Você precisa é do Deus que está em todo lugar o qual você não tem conseguido enxergar e por isso o tem desprezado. Você pensa o que, que Deus vai dentro de uma caixa de sapatos, ou de uma lata de lixo, e quando o tal ministério chegar na sua cidade, agora sim, Deus terá chegado? Você acha que o pregador que você tanto pensa que tem que ir na sua cidade "liberar avivamento", acha que ele vai levar Deus no bolso do paletó, ou dentro duma garrafinha de yakult e então vai falar para todo mundo "olha Deus aqui, eu trouxe ele, está no meu bolso, vocês querem ver agora ou só depois da oferta?"

Deus já está ai! O véu já está rasgado! Não te falta nada a não ser Deus! Você já tem tudo que precisa, a faca e o queijo estão nas suas mãos, mas por que você não consegue cortar? É que você foi ensinado a vida toda que alguém virá e vai cortar por você e vai dar na sua boca, mas eu estou aqui falando uma coisa real, Deus te deu água para beber, e pão para comer, mas se você não pegar e não comer por si mesmo, e ficar esperando que vai vir alguém e te dar comida, quando o próprio Deus, o próprio Cristo é a comida, então você vai morrer de fome e vai morrer de fome com razão. É isso que está acontecendo nas igrejas hoje em dia, muita esperança e muita expectativa de que "faz falta uma igreja como essa na minha cidade, se não tiver uma igreja assim, com um pastor assim, vamos morrer de fome". Você não tem desculpa para morrer de fome depois que Jesus disse "vem a mim e come". Nem tem desculpas para morrer de sede quando Jesus disse "vem a mim e bebe". Não é uma igreja o lugar de almoçar, jantar, tomar café da manhã, lanche de madrugada, é em Cristo. As igrejas atuais são celeiros vazios em sua grande maioria, mas mesmo um celeiro cheio, tem que ser o seu coração cheio da palavra de Deus. Colossenses 3:16 "Habite ricamente a palavra de Deus EM VÓS..." Jesus em João 4, falando do Espírito Santo "quem beber a água que eu lhe der SE FARÁ NELE fonte de água que jorre para a vida eterna".

Cristo e os apóstolos sempre falaram deste "estímulo" interior, o Espírito Santo. Boa parte das pessoas quando procura por estímulos exteriores, como igrejas e pastores, na verdade estão procurando um modo de substituir o Espírito Santo. Mas não há substituto do Espírito Santo. Igrejas, pastores, reuniões, ministérios, tudo isso tem o seu devido lugar, mas não é no lugar de Deus. Eu não estou dizendo que reuniões e pregações não são coisas boas, sim são, mas não são substitutos para Deus. Deus não é uma pregação. Deus não é uma igreja. Deus não é uma reunião. O começo em qualquer igreja sempre parecerá bom, mas problemas virão de qualquer jeito. Há gente mudando de estado e cidade, largando emprego para morar perto de uma igreja "verdadeira", e com o tempo apenas se decepcionam. Ah se o povo de Deus se desse conta que todas as igrejas poderiam fechar as suas portas hoje, e todos os pastores poderiam ser tidos como falsos profetas, e ainda assim, se os céus estiverem abertos, e os céus estão abertos em Cristo Jesus, então não temos nada a temer. Esse é um dos motivos da fome atual da igreja, as pessoas estão usando a igreja para aquilo que ela não foi instituída pelo próprio Cristo, as nossas reuniões são momentos de edificação, mas Deus é muito mais que elas. Se entendermos que precisamos mais de Deus do que de igrejas, e mais de Cristo do que de pastores, nós vamos até o Senhor e encontraremos vida. Caso contrário, a vida de muita gente será apenas decepção, desânimo com o cenário atual, eternamente procurando uma igreja e se lamentando por não encontrar. Ah, mas se você encontrar a Cristo! Se permita se maravilhar com o Senhor agora, pode ter certeza aqueles teus pregadores de estimação vão perder a graça num instante! Volte a ter confiança na sua comunhão com Deus, pois é Cristo quem nos conecta ao Pai! Cuide do teu Jardim!

Até a próxima.

Postado em 20/12/2018 -  01:30